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sexta-feira, 30 de junho de 2023

sexta-feira, junho 30, 2023

Planejando o “quase” impossível - Intercâmbio depois dos 50!

Verdade seja dita : muitos da minha geração tem como regra que pouco nos é permitido sem nos sentirmos culpados. Não julgo essa “FORMA” de pensar porque foi assim que aprendi. E levamos algum tempo para mudar o que é cultural. Pequenas conquistas são para serem comemoradas com prazo de validade. E as derrotas devem ser sofridas também num tempo curto e certo. Isso me proporciona muita cautela. Talvez seja por isso que a palavra que mais me assombra é ESCASSEZ. Sob todos os aspectos: emocional, material e espiritual.

Tenho medo da ESCASSEZ.  E a de cunho material é a que tem um vínculo mais forte e visível com um histórico de vida (claro). Por isso assumi, desde muito cedo, o desafio de planejar detalhadamente cada passo relacionado à despesa ou ganho financeiro, de forma a me dar um certo controle sobre o medo da escassez material.

Essa compulsão de planejar me permite organização em excesso, porém nem sempre me permitiu desfrutar como gostaria. 

Por que? 

Porque para quem planeja exaustivamente, como eu, sempre está olhando para frente, para o futuro, sem muito tempo de ficar no presente.  

Aprendi muito cedo, logo que comecei a trabalhar, que o padrão de vida pode aumentar, conforme os ganhos aumentam, porém, ele não deve comprometer a qualidade de vida no futuro. De que adianta viver um alto padrão de vida no presente, endividado e não pensar que o futuro chega rápido? Ao longo dos anos fui (cautelosamente) aumentando meus objetivos e percebi que com planejamento financeiro é mais provável alcançá-los, porém, não quer dizer que será fácil. Então, se eu fosse colocar numa balança, seria algo assim: meu estilo de vida não pode ser maior que os meus objetivos de médio e longo prazo. 

Ou seja, se mantenho um alto estilo de vida, certamente vou comprometer os objetivos. Por isso, decidi ser minimalista em algumas áreas da vida para poder alcançar alguns objetivos bem ousados.

Isto posto para contextualizar, consigo explicar sobre como foi possível fazer esse intercâmbio fora do Brasil, reforçando que o estilo de vida foi determinante e ajustado para que eu pudesse realizá-lo.

Como começou esse planejamento

Quanto? Como? Quando?

Quanto!

Primeiro passo foi ter dimensão do valor total para esse objetivo. Pesquisei por muito tempo e recorrentemente. Fiz pesquisas a cada 3 meses nesses últimos 4 anos, considerando os vários cenários econômicos que pudessem interferir na conversão da moeda (real para euro) e criei uma planilha com as projeções:

- Passagem aérea - coloquei todas as possibilidades de chegada na cidade destino, as opções de quebrar a chegada em aéreo e terrestre, pesquisei os dias da semana que os valores variavam para maior ou menor e a época do ano. Fiz um mapa de possibilidades sobre passagem aérea.

- Hospedagem: coloquei na planilha as opções de hospedagem em hotel, casa compartilhada e quartos individuais. Incluí as vantagens e desvantagens. De cara, hotel foi descartado, pelo valor e pelo desconforto de ficar fechada num quarto sem janela (como sempre ocorre). A hospedagem tinha que ser adequada para permanência, já que o período seria longo.

- Pesquisei os valores dos custos do curso que eu gostaria de fazer e as opções que poderiam ter com mais de um curso e se havia algum desconto para tempos prolongados.

- Fiz uma projeção de gastos de alimentação e o dia-a-dia, pesquisando na cidade o preço de comida, transporte, etc...buscando muitos vídeos de viajantes e blogs que falam sobre isso.

Planilha Pronta com POSSIBILIDADES! Próximo passo .....

Como!

O segundo passo do planejamento foi definir como seria esse intercâmbio.  Foi fundamental pensar no dia-a-dia com o objetivo de estudar e morar. Me incorporar na rotina dos moradores era o ponto mais importante. Por isso excluí despesas que ocorrem quando estamos de férias e defini o objetivo de hospedagem um local mais longe do setor de turístico. O planejamento estava ajustado para um estilo de vida de estudante.

Quando!

O terceiro passo foi pensar quando seria esse intercâmbio. O planejamento começou de verdade em 2019, porém, a pandemia colocou tudo em banho-maria. Sem perspectiva, no final de 2022 retomei-o e coloquei a meta para 2023. Só faltava definir quanto tempo seria de intercâmbio.

Fechado o planejamento, parti para as decisões já em janeiro de 2023 com a perspectiva de fazer o intercâmbio em junho de 2023. Todas as pesquisas financeiras coloquei numa régua de tempo de permanência de 1 a 3 meses.

Por que?

Para saber qual seria o mais vantajoso, considerando que a passagem é o custo que se deprecia com a quantidade de tempo no destino e o valor varia muito em determinados períodos.

A hospedagem e despesas de alimentação para um tempo maior são os custos mais variáveis e que impactam com mais força no orçamento. Qual seria o ponto de equilíbrio?

Cheguei na melhor projeção para 2 meses.

- A passagem decidi chegar no destino final com voo de conexão: o valor planejado não me dava o luxo de chegar em Madrid, passar uns dias e ir para Granada. Seriam despesas que não foram planejadas.

- A hospedagem optei por Airbnb um quarto com varanda e banheiro privativo (esse luxo não abri mão), e a localização seria num ponto distante da área mais badalada e num local que me permitisse trabalhar remotamente.

- Alimentação: a projeção por dia foi bem menor do que no período de férias. Optei em buscar opções de comprar comida em mercados que eu pudesse comer em casa na semana. Optei em fechar um valor em dinheiro em espécie, de forma a não me descontrolar com cartão. Ou seja, por dia, posso gastar “x” reais com alimentação. Despesas extras, seriam no cartão de crédito. O efeito psicológico disso é que não posso voltar do intercâmbio com cartões de crédito comprometidos porque minha rotina no Brasil voltará ao normal.

- Transporte: a cidade é muito linda para caminhar. Apesar do calor e das ruas sempre em ladeiras, me convenci que caminhar ou pegar ônibus fazem parte dessa imersão.

Comprei as passagens em janeiro, acertei a hospedagem em março e, por fim, fiz a inscrição no curso (seriam 2 cursos, mas o orçamento me permitiu apenas 1 curso) em abril. Desta forma, se durante a estadia eu conseguir economizar na alimentação, posso contratar aulas extras. Esse é o trato comigo mesma.

E foi assim, simples mesmo: quanto, como e quando, tomada de decisões e execução.

Por trás dos bastidores!

Já em 2022, com esse planejamento, ajustei a minha rotina do dia-a-dia para cumprir o prazo da meta – 2023.

Tudo foi perfeito? Não. Tinha época que eu desistia e deixava o planejamento de lado, achando quase impossível chegar no objetivo de ir. Mas, retomava. Nem sempre com otimismo. Não engavetei, mas teve períodos que eu achava impossível.

Nesse tempo de espera e planejamento não deixei de fazer coisas importantes, tais como pequenas viagens, entretenimento, cuidados pessoais. Mas tive que mudar a rotina e ter mais trabalho e tempo para: cozinhar mais vezes, organizar melhor as compras do mês para aproveitar promoções (mesmo que eu tivesse que ir mais longe para comprar) e criar obstáculos de consumo, sempre me perguntado: realmente preciso disso? Porquê? Para que? Se uma dessas perguntar não eram respondidas, não comprava.

Outras despesas relacionadas ao consumo deixei para depois do intercambio, ou seja, meu calendário de planejamento tinha 2 datas: AI e DI (antes do intercambio e depois do intercambio).

Foi muito difícil manter-me focada. Não tem mágica. Não tem receita. Somente planejamento e meta.

E agora estou aqui. Em tempo real, fazendo valer o que foi planejado, mas com flexibilidade para não me cobrar tanto se fugir um pouco do orçamento. A ideia é deixar esses 2 meses fluírem, sem culpa, já que muito me foi permitido.

E, quem sabe, inspirar outras pessoas?





domingo, 5 de janeiro de 2020

domingo, janeiro 05, 2020

Era uma vez uma cidade chamada Córdoba...Andaluzia - Espanha

Era uma vez uma Basílica,
Que virou Mesquita
Que virou Catedral e
Foi palco da história do mundo e de grandes conquistas!


Essa é Córdoba, bem ali no meio de Andaluzia que não pode ficar de fora na rota que mergulha na história e cultura espanhola e andaluza.


Imaginem uma cidade que já existia e em 206 a.C foi conquistada pelos romanos cujo processo de ocupação da Península Ibérica estava em franco crescimento, tornando-se estratégica na expansão dessas conquistas.
Foi neste período a Ponte Romana, sobre o Gualdalquivir , foi construída : já imaginou caminhar pela história de 200 a.C ?
Foi uma emoção sem precedentes quando vi e pisei naquela ponte. Essa ponte que foi a única forma de entrar na cidade romana.




Já nos idos de 400 d.C Córdoba foi conquistada pelos visigodos, protagonizando grandes e importantes conflitos. Eis então que surge a Basílica Cristã de São Vicente Mártir.  Porém, em  711,  Córdoba sofre a invasão muçulmana, tornando-se sede do Califado e, por sua importância geográfica, assume novamente posição estratégica dos novos conquistadores – os muçulmanos.


A Basílica Cristã de São Vicente Mártir, erguida pelos visigodos, dá lugar à Mesquita. Essa era a forma de instituir o poder dos conquistadores.  Por volta do ano 1.000 torna-se a mais importante cidade do império muçulmano na região, com cerca de 450 mil habitantes, e uma das cidades mais povoadas do mundo.
Caminhar por Córdoba é como entrar nessa história diversa de troca de poderes que tanto aconteceu em Andaluzia. Passeando pela arquitetura que se confirma a semelhança com Constantinopla, Damasco, Cairo e Bagdá. Uma extensão da ocupação muçulmana que não economizou em nada em beleza e riqueza na cidade.
Em 1236 a cidade retorna às mãos cristãs por  Fernando III de Leão e Castela e a Mesquita foi transformada na Catedral Santa María, passando por várias mudanças arquitetônicas até por cerca de 1600.
Nos tempos atuais, predomina as características mouriscas e desde 1984 é Patrimônio Mundial atribuído pela Unesco.

















Por que tanta importância na história?

Porque é impossível descrever o impacto que tive de Córdoba e da Catedral Mesquita através de imagens. Nenhuma foto consegue descrever a beleza e a grandeza da história do que foi uma Basílica Visigoda, uma Mesquita e por fim, culmina com a transformação em Catedral de Santa María , com uma fusão de arquitetura inigualável.
Seus os arcos, naves e cúpulas se misturam cada um na sua linguagem temporal e cultural, e, sem nenhuma dúvida, é a prova de que a religião e a fé são atemporais e eternos. Respirando a história e as manifestações de fé nesta diversidade arquitetônica é  que se compreende Córdoba e sua história.




















Então a dica é: não deixe de ir a Córdoba!

Sugiro fazer um bate-volta de alguma cidade próxima ou ser ponto de passagem, como fizemos: antes de voltarmos a Madrid para começar a volta da viagem, paramos em Córdoba por 1 dia com a ideia principal de conhecer a  Ponto Romana e a Catedral Mesquita.
É muito fácil ir a Córdoba de qualquer cidade da Andaluzia ou de Madrid. Neste roteiro seguimos de Granada para Córdoba de ônibus e depois seguimos de trem de Córdoba para Madrid.

O que fazer num pernoite e 1 dia  em Córdoba?

Pela noite aproveitamos a área monumental, caminhamos na direção da Ponte. Um espetáculo à parte toda essa região ser iluminada e agitada pela alegria da cidade.

Pelo dia, dedicamos à Catedral Mesquita e o bairro judeu.
A Mesquita requer a metade do dia. Deve-se aproveitar cada parte do espaço. Ao final da visitação, um bom descanso no jardim, antes de seguir pela cidade



A Juderia (bairro judeu), datada do séc. X e ocupado pelos judeus até o século XV, é uma atração movimentada: com suas ruas estreitas e um comércio intenso, fica ao lado da Catedral Mesquita e, além do comércio, os restaurantes aconchegantes convidam a uma parada estratégica.  E, como o  calor era forte, para acompanhar, nada melhor que um Salmorejo, prato típico da cidade que consiste numa sopa fria feita com tomate, azeite virgem extra, alho, sal e pão e decorada com ovo picado e alguns pedaços de presunto, o famoso jamón ibérico. E para acompanhar, claro: Tinto de Verano

















O hotel que ficamos está muito bem localizado e com atendimento bem bacana – Hotel Cordoba Centro -  com poucos minutos de caminhada à parte monumental.
Viu só como é simples?
Visitar Córdoba é caminhar. Os pontos turísticos e monumentais são bem próximos e, caminhando, a gente lembra que romanos, visigodos, judeus e muçulmanos ali habitaram, com suas verdades e culturas.
Hoje, Andaluzia é uma referência e homenagem que celebra a diversidade cultural e religiosa.
Esse roteiro finaliza em Córdoba.
Saímos de Madrid, fomos a Sevilla, depois Granada e fechamos em Córdoba.
Muita acessibilidade com transporte de alta qualidade.
Essa é a parte que a Espanha me surpreende sempre que volto: a possibilidade de ir e vir com segurança e facilidade. Sozinha ou acompanhada. E sabe o que mais? Ooo povo alegre e hospitaleiro!

E viva minha Espanha!


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

segunda-feira, outubro 07, 2019

Sevilla tiene una cosa!


De Madrid para Sevilla!  A cidade que parece litoral, mas é banhada de sol e bares!  Apesar da correria, foram 3 dias de puro deleite, ócio, sol, bares e boas risadas.
Optamos pelo trem de Madrid para Sevilla. Muito confortável e uma experiência bacana para uma 1ª. vez (como era o caso da minha amiga), cujo valor da passagem corresponde ao serviço prestado e tem lá seu glamour viajar de trem na Europa né?
Chegamos no final da manhã de um dia muito quente numa cidade alegre e festiva, com a cara do verão. Nosso hotel, muito bem localizado, além de ser uma atração à parte: Hotel Patio de La Alameda ficava na Alameda Hercules. Uma casa do século XIX com arquitetura interna de pátios andaluzes. Pequeno e muito aconchegante, o atendimento faz mais que justiça à beleza do hotel. Todos foram sensacionais, registrando aqui a 1ª. impressão de minha amiga sobre a cidade: como as pessoas são acolhedoras, alegres e a segurança percebida logo na chegada.
Apesar da cidade exalar um ar “litorâneo” e as pessoas parecerem estar na praia, a cidade não tem mar. Mas os bares,  as melhores coisas de Sevilla, mantém esse “aire” de verão praiano. Sevilla é bem fácil de entender cuja boemia retrata sua história, sua leveza conquistada com muitas dores e sua alegria de viver pelas batalhas sofridas. Sevilla é uma homenagem à vida.
Sevilla através da história:
Chamava-se Híspalis no período romano por volta de até 700dc quando foi conquistada pelos mulçumanos, atingindo seu apogeu de prosperidade.  Em 1248 é reconquistada pelos Reis Católicos e a história se repete: conversões, perseguições, miscigenação e sobrevivência.
Como todas as cidades de Andaluzia, passou por mãos muçulmanas e cristãs cujas batalhas foram vividas à luz de muita violência e devastação. Na Guerra Civil houve mais uma etapa de destruição e a decadência se instalou. Talvez seja por isso que a cidade tem encravada nas suas arquiteturas uma diversidade cultural e um povo muito acolhedor. Todas misturas passam por Sevilla e sua história deixou a alegria de viver como marca em seu povo, como se comemorassem todos os dias o simples fato de estarem vivos.
A Alameda Hercules, nossa base em Sevilla, é uma região muito bacana que existe desde 1574. Hoje é rodeada de bares e um dos points da boemia alternativa de Sevilla. No início era um jardim público da alta classe que passou pela decadência no período da Guerra Civil e foi revitalizado recentemente, tornando-se um centro de arte e cultura alternativo. No final do dia os bares aplacam o calor com as sombras das árvores e  uma cerveja gelada. Um ótimo lugar para o ócio e boas conversas. No começo da manhã esses mesmos bares abrem e servem café da manhã a preços generosos.
Bem perto da Alameda Hércules está o centro monumental de Sevilla: parte turística obrigatória. Ou seja, essa foi mais uma decisão para ajudar a minha amiga a se sentir mais segura e com facilidade de se integrar na dinâmica da cidade: a localização do Hotel e a mobilidade. Aproveitamos nosso primeiro dia para caminharmos pela Alameda Hercules até La Campana: rua de muita importância desde 1510 quando era conhecida como a “Calle de Pasteleros” por ter lojas de fabricação e vendas de doces. Atualmente mantém uma referência dessa época com a doceria Campana, desde 1885. A partir da Campana vários pontos da cidade estão interligados, principalmente o centro comercial e a Calle Sierpes, a “famosa”. Sabe porquê?
É aonde ficam as lojas famosas e de marcas e as pessoas passeiam alegremente e despojadamente pelas lojas e rua, sob o frescor dos toldos que cobrem toda a extensão da Calle Sierpes.
No 2º. dia a programação foi Catedral e La Giralda , com direito à subida pelo mirante. La  Giralda vem do antigo minarete que era parte da Mesquita Mayor. A história começa quando Sevilla é conquistada pelos muçulmanos e a Mesquita Mayor e a torre (La Giralda) são construídas neste período que vai de 700 a 1200dc aproximadamente.  No século XIII, quando os reis cristãos reconquistam Sevilla, a Mesquita é convertida a Igreja dedicada a “la Asunción de María”. Somente nos séculos XV e XVI as construções são finalizadas e hoje conhecemos como Catedral Gótica de Sevilla.  Durante esse período sobreviveu a 3 terremotos e no local encontram-se os restos mortais de Cristóvão Colombo e os túmulos dos reis. Além da parte interna deslumbrante e a subida na torre (de tirar o fôlego literalmente), a dica é descansar no Pátio de los Naranjos com seus jardins, fonte e sombras.
Depois da Catedral, seguimos ao bairro de Santa Cruz, na parte mais antiga da cidade  que tem como referência ter sido uma “juderia (bairro dos judeus). A comunidade judia de Santa Cruz foi a 2ª. mais importante da Espanha, sendo a primeira, a comunidade de Toledo. De arquitetura gótica, o bairro fica entre a Catedral e o Real Alcazar (palácio em estilo mourisco). Suas ruas estreitas e praças cheias de arvores rodeadas de lojas de lembranças, artesanato, doces e cerâmicas, também convidam à boemia, pois nessa região se concentram muitos bares de tapas.  Ainda nessa área antiga, um paradoxo: o Parasol na Praça La Encarnación! Difícil entender esse monumento que traz uma modernidade que contrasta muito com a região antiga. “Las Setas” ou Parasol, é uma construção de madeira formando 6 guarda-sóis (inaugurada em 2011). Conhecida como “Las Setas” porque lembra muito o formato de cogumelos. 


Além da área de contemplação e vista da cidade, é no subterrâneo que fiquei de boca aberta: lá encontra-se o  Antiquarium, um museu arqueológico com vestígios romanos e árabes, descobertos na 1ª. fase da construção do Parasol e podem ser da época de Tibério 30dc, indo até Século VI com vestígios romanos e construções islâmicas dos séculos XII e XIII.

E o dia acabou? Nada!
Final da tarde com sol alto, seguimos para o Museo Flamenco  para uma imersão completa: além de conhecermos a história de grandes nomes, vivenciar o museu interativo e conhecer as origens e influências de outras culturas, assistimos o tablao flamenco para fechar a visita com chave de ouro. A dinâmica desse museu é muito bacana, pois por um valor único (e bem acessível) pode-se visitar o museu e esperar o horário do tablado que acontece pelo menos umas 3x ao dia.  









No 3o dia, já em ritmo de despedida, fomos à Plaza de España. Taí um lugar que consegue definir bem Sevilla! Localizado no Parque Maria Luísa, foi construída entre 1914 e 1929.  A diversidade de pontos de observação e contemplação rendem fotos maravilhosas. Ao redor da praça tem bancos que representam as províncias espanholas, representadas, cada uma, pelo seu escudo, um mapa e uma figura artística. Essa praça foi cenário filmes conhecidos como Lawrence de Arábia de 1962 e  Star Wars Episódio II: O Ataque dos Clones de 2002. Além da arquitetura e diversidade de contemplação, musicalidade ao ar livre com artistas de flamenco e outras modalidades nos prendeu por horas e sem vontade de voltar à realidade. 



Fechamos nossa última noite em Triana para conhecer o outro lado de Sevilla e cruzar a famosa “Puente de Triana” sobre o rio Guadalquivir. Impossível não associar Triana ao flamenco,  aos grandes nomes de toreros e aos perseguidos pela inquisição. Um bairro inicialmente habitado pelos ciganos e judeus, porém, o prédio da sede central da Inquisição (1481) ficava no antigo castelo de São Jorge, bem na saída da ponte (onde hoje é o Mercado de Triana), chancelando a ocupação cristã. Hoje o bairro é uma boemia cool.


Saindo da Puente de Triana,  logo em frente, está a Plaza del Altozano onde ainda se encontram construções antigas, como a farmácia, a estátua de um torero e a estátua de uma mulher flamenca, dando as boas-vindas a quem chega. Toda a praça segue com um burburinho de bares e lojas. À direita da praça,  o Mercado de Triana e as relíquias arqueológicas do Castelo de São Jorge na parte inferior do mercado, local onde foi sede da Inquisição de 1481. Saindo pelo mercado chegamos no “callejón de la Inquisición” (beco da inquisição) e as ruas seguem como por exemplo na calle San Jorge que se encontra o museu de cerâmica: uma antiga fábrica de cerâmica de 1870, e, claro, a “lojinha” para não deixar a gente com água na boca. Na base da ponte de Triana também se encontram restaurantes maravilhosos com uma vista belíssima para o rio, e à esquerda, a Calle Betis e todo um passeio que contorna as margens do Rio Guadalquivir, também com tablados flamencos e restaurantes e bares.  
O que fazíamos às noites? Bares, caminhadas, bares, tapas e conversas. Conhecemos pessoas, fizemos novos amigos, criamos novas memórias, reencontramos alguns amigos e ficamos com muita saudade.  Intenso não?

















Sevilla é assim mesmo. Desconheço quem simplesmente “passou” por Sevilla e não se apaixonou pelos seus cantos e encantos. Não dá para explicar Sevilla de um a forma simples, racional e objetiva. Sabe Porquê?

Porque Sevilla tiene una cosa!

Próxima parada desse roteiro andaluz? Granada, tierra soñada ....Aguardem!!!!!


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Dica para a 1ª. Viagem Solo? ESPANHA, com certeza!


Compartilho muito sobre minhas experiências de viagem solo, principalmente para inspirar mulheres que querem ir pela 1ª. Vez.
Já falei aqui sobre planejamento, decisões, finanças, sensações, solidão, etc.
Mas tem uma pergunta que é recorrente:
Qual destino eu indicaria para alguém que quer fazer sua primeira viagem solo?
Minha 1ª. Experiência sozinha foi na Espanha e lá estive outras vezes. Definitivamente é para onde eu sempre desejo voltar e volto.
A época que mais gosto de estar lá é no verão, e já pensando nas etapas de planejamento para uma bela viagem no verão europeu/Espanha, decidi compartilhar dicas e lugares que são excelentes e acolhedores para mulheres sozinhas.
Para planejar um destino, a primeira recomendação: pesquise muito! Entre na realidade e descubra as facilidades que a Espanha pode proporcionar numa primeira viagem solo.
Porque a Espanha é um destino especial para a sua viagem solo?
O calor escaldante até poderia ser desanimador, mas o contraponto é a animação que embala todos que lá estão e tem uma alegria muito parecida com o Brasil.  No verão, o sol desaparece depois das 10 da noite.
Um país que proporciona segurança para circular pelas cidades, excelente rede de transportes entre as cidades, seja de trem ou ônibus e é possível caminhar contemplando cada pedaço da história por várias cidades.
E uma dica: eu procuro ir de TAP para dar aquela passadinha em Portugal. Que seja pelo menos de 1 dia. O aeroporto de Lisboa é muito agradável e é muito fácil tomar aqueles ônibus de turismo e dar uma voltinha na cidade, antes de seguir para Espanha
Tem uma outra coisa que eu gosto muito: a informalidade da Espanha no verão. Isso me proporciona uma mala muito menor.
A língua não é problema algum. O país recebe pessoas de vários lugares do mundo e é muito fácil se comunicar e se divertir com o português mesmo ou algumas poucas palavras hispânicas.
As possibilidades são inúmeras e recomendo alguns roteiros para aproveitar bem as diversas opções:
Madrid + Andaluzia
Madrid + Barcelona + Cataluña
Portugal + Galícia
Andaluzia + Marrocos
Quando fui a 1ª. vez (2002) fiz uma excursão pela Espanha completa por cerca de 23 dias, apesar de ter sido muito corrido, tive uma degustação de todas as culturas da Espanha e foi nessa viagem que conheci o flamenco. Já pensou em fazer aulas de flamenco? Sim, é muito comum mulheres de todas as idades e de vários lugares do mundo se permitirem essa ousadia mesmo sem nunca terem feito aula no Brasil.

Apesar de ser conhecida como a cidade para notívagos, a cidade é cheia de atrativos de dia para quem ainda não tem muito segurança em sair à noite sozinha. Mas atenção: no verão, o sol se põe depois das 10 da noite, fatalmente você estará circulando pela cidade à noite
O que você encontrará em Madrid? um roteiro cultural, tapear pelos bares, se integrar na rotina da cidade, tudo isso sem receio de estar sozinha. É possível também conhecer Toledo, num dia de bate-volta e trem, seguro e divertido.
Aqui, nesse link, escrevi um roteiro detalhado sobre Madrid, mas resumindo, você pode: bater perna o dia todo, ir ao parque do Retiro, caminhar pelo Palácio, conhecer o Prado e a Reina Sofia, museus imperdíveis e maravilhosos com café acolhedor e comer muito bem e do jeito que você se sentir mais à vontade.

Andaluzia é o sul da Espanha, com uma cultura predominante árabe e cigana, composta de 8 províncias, cuja capital é Sevilha! Cada província merece ser visitada por um dia e algumas merecem mais dias de permanência, tais como Granada, Málaga, Cadiz e Sevilha. A melhor forma de conhecê-la é de carro, trem ou ônibus!
O clima é bem definido: no verão podemos ter até 45 graus em algumas cidades (Sevilha é uma cidade bem quente) e no inverno cheguei a pegar uns 5 graus em Granada. A região é forte na produção de azeite e de vinhos finos de Jerez.  A cidade mais populosa é Sevilha, com cerca de 700 mil habitantes, seguida por Málaga (500 mil), Córdoba (300 mil), Granada (230 mil) e Jerez de la Frontera (200 mil). Nessa região se concentra a população cigana na Espanha que gira em torno de 500.000 a 800.000 indivíduos.
Então imaginem a região com forte cultura árabe, que tem na sua população a concentração do povo cigano da Espanha e está ali, pertinho da África! Entenderam porque não dá para comparar Andaluzia com outras regiões da Espanha?
Por ter a maior concentração da população cigana da Espanha, é muito mais fácil encontrar flamenco em cada uma dessas cidades e escolas para conhecer, além dos shows de tablado.


Taí uma cidade que encanta e te deixa muito à vontade. Lugares excelentes para hospedagem para todos os bolsos, muitas pessoas viajando sozinhas, simpatia por todos os lados à maneira andaluza. Eu a considero a Paris de Andaluzia. Tão linda, elegante, cheia de mistérios, histórias e personalidades. Sevilha foi o berço dos intelectuais do romantismo no séc XVIII e inspirou muitos romances, filmes, músicas e proporcionou muitos encontros com festas andaluzas. Foi também a inspiração de filmes hollywoodianos entre as décadas de 40 e 50, onde nasceu o estereótipo cigana e toureiro. Hoje é um destino badalado e de passagem quase que obrigatória de quem vai à Espanha. E o mais impressionante é que quem vai pela primeira vez, volta com a sensação de que deve voltar pelo resto da vida.
E o que podemos encontrar nessa cidade tão forte?



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Andrea Pires

Com Salto&Asas é um lugar de verdade, onde compartilho as memórias das viagens que mudaram minha vida e que me transformam diariamente. Sonhar, Planejar e Realizar, o melhor caminho para ter o Mundo nas Mãos! comsaltoeasas@gmail.com

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