Andrea Pires
domingo, junho 19, 2016
Peru
PERU e MACHU PICCHU – Quanto mais longe de casa, mais se aprende!
O que me faria voltar
várias vezes foi descobrir um povo que acolhe com sua bondade e felicidade,
respeitando e valorizando as forças da natureza e reverenciando a mãe terra, Pachamama: - que lhes dá o sustento de
vida. O sorriso estampa em todos os lugares, a leveza de alma é o que melhor o
define. Um povo tão esperançoso e cheio de gratidão pelo que a terra
proporciona de sustento, pelas forças da natureza e pela sua história.
Como falar do Peru sem
falar da história dos Incas, dos espanhóis, da religião politeísta naturalista,
arquitetura, matemática...enfim...decidi escrever o que vi, pois a história
está mais do que contada e recontada. Compartilho não meus conhecimentos, mas meus
olhos, com a certeza da generosidade que vi lá.
O Peru é famoso pelo Império
Inca (filhos do sol), considerado o maior Estado da América pré-colombiana,
resultado da conquista de várias civilizações andinas no séc. XIII. Apesar da
sua hegemonia e inovações, foi um Império de vida curta (cerca de 100 anos),
onde se estendia pelo Equador, Bolívia, Argentina, Chile e Colômbia. A
administração central era em Cusco (em quíchua, "Umbigo do Mundo"). Nesses
100 anos, atribui-se aos Incas grande desenvolvimento e descobertas na irrigação,
agricultura, arquitetura e construção, astronomia e matemática. Tudo era
compartilhado e servido à população que produzia e trabalhava para aprimorar
cada vez mais esse modelo social. Um exemplo de socialismo ideal, à luz da religião
politeísta, identificada pela dualidade: bem e mal, claro e escuro, luz e
sombra...ou seja...a busca do equilíbrio entre as forças criadoras.
Ouvi de alguns nativos que
a conquista espanhola não foi resistida pelos Incas num primeiro momento.
Pizarro já tinha tido contato com os Incas em 1526. Eles contam que os Incas
esperavam o grande Deus (trovão) chegar por mar. Quando Pizarro e
conquistadores chegaram com seus canhões, supõe-se que teriam sido recebidos
como deuses, porém, ao longo da conquista espanhola, o Império Inca percebeu
que estava sendo dizimado e explorado e a guerra era inevitável. Não havia ouro
e prata que satisfizesse a Espanha. Em 1532 Pizarro derrotou e capturou o
ultimo imperador inca Atahualpa. Exigiu
ouro e prata em troca da libertação e, mesmo tendo recebido a recompensa, Atahualpa foi executado e Pizarro conquistou
definitivamente o império, estabelecendo o domínio Espanhol e a igreja católica
como religião oficial.
A
Lima que conheci é lindamente cinza
Encantadora e cinza. O
Centro Histórico é onde se concentra o maior acervo da colonização espanhola. O
ponto de partida é a Praça das Armas e a Catedral, cuja inspiração é na
Catedral de Sevilha, rapidamente percebida pelos azulejos mouros. O Convento de
Santo Domingo e Santa Rosa é onde estão expostos pertences e história de mártires,
como por exemplo, São Martim de Porres, um religioso, enfermeiro e santo peruano que se
dedicou a caridade. E ali pertinho, a Igreja de São Francisco. A história da
conquista espanhola se repete: a catedral, o governo e a praça. Miraflores é muito agradável, ideal
para hospedagem porque fica longe do caos do centro histórico e do transito (que
me assustou muito), pois é caótico mesmo no sábado, não há como fugir. Apesar dos ares de grande cidade super
populosa, não me senti insegura e tão pouco vi violência urbana.
Já Miraflores é um bairro calmo e
cosmopolita. Além do shopping Larcomar,
que fica à beira do pacífico com restaurantes maravilhosos, há uma ciclovia onde,
caminhando, chega-se ao Parque do Amor com as esculturas e monumentos que muito
lembram Gaudi. A Calle Larco merece uma manhã inteira de
exploração e compras no centro de artesanato. Lima me conquistou pela gastronomia:
Ceviche e Pisco, que só de lembrar, a boca saliva. Uma sugestão de quem vai
pela 1ª. vez: O tour com o ônibus aberto é muito bom e vai até Barranco (bairro
boêmio e intelectual). Contrate um transfer/receptivo do aeroporto ao hotel e
hotel para aeroporto (não é luxo, é necessário) para não sofrer o stress dos
taxis (o valor tem que ser negociado na hora).
Cusco
3400 metros de altitude e é azul!
A aterrisagem em Cusco é
lindíssima e dá medo. Senti a diferença de altitude
imediatamente. Muito sono, cansaço e recomendo no 1º. dia comer algo leve
para se acostumar. Os hotéis carinhosamente recebem o turista com chá de coca e
muita simpatia. O centro de Cusco é um museu inca e espanhol a céu aberto. Percebe-se a influência da igreja Católica por onde os espanhóis passaram, mas
não conseguiram descaracterizar a cultura Inca. O mercado de São Pedro é uma atração imperdível.
Lá
a gente tem contato imediato com a gastronomia e cultura local: Cuy (porco da
índia que é assado num espeto) é bem popular, o Choclo com queso tem que ser
provado e a inka cola faz muito sucesso. E o ceviche continua no topo da lista.
Sacsayhuamán (cabeça do puma) é outro
sítio onde se realiza a festa de 24 de junho, no solstício de inverno, o ritual
de culto ao deus sol ou Inti.
Com a conquista
espanhola, a arquitetura ficou mesclada com a arquitetura inca, onde várias
sobreposições são percebidas. Houve um terremoto em 1950 que destruiu muitas
coisas, mas os nativos contam que tudo que era de construção Inca se manteve de
pé e o que era espanhola ruiu. Isso se vê claramente na construção de padres
dominicanos sobre o Templo do Sol: a parte Inca ficou e a dos padres se foi.

