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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

segunda-feira, outubro 07, 2019

Sevilla tiene una cosa!


De Madrid para Sevilla!  A cidade que parece litoral, mas é banhada de sol e bares!  Apesar da correria, foram 3 dias de puro deleite, ócio, sol, bares e boas risadas.
Optamos pelo trem de Madrid para Sevilla. Muito confortável e uma experiência bacana para uma 1ª. vez (como era o caso da minha amiga), cujo valor da passagem corresponde ao serviço prestado e tem lá seu glamour viajar de trem na Europa né?
Chegamos no final da manhã de um dia muito quente numa cidade alegre e festiva, com a cara do verão. Nosso hotel, muito bem localizado, além de ser uma atração à parte: Hotel Patio de La Alameda ficava na Alameda Hercules. Uma casa do século XIX com arquitetura interna de pátios andaluzes. Pequeno e muito aconchegante, o atendimento faz mais que justiça à beleza do hotel. Todos foram sensacionais, registrando aqui a 1ª. impressão de minha amiga sobre a cidade: como as pessoas são acolhedoras, alegres e a segurança percebida logo na chegada.
Apesar da cidade exalar um ar “litorâneo” e as pessoas parecerem estar na praia, a cidade não tem mar. Mas os bares,  as melhores coisas de Sevilla, mantém esse “aire” de verão praiano. Sevilla é bem fácil de entender cuja boemia retrata sua história, sua leveza conquistada com muitas dores e sua alegria de viver pelas batalhas sofridas. Sevilla é uma homenagem à vida.
Sevilla através da história:
Chamava-se Híspalis no período romano por volta de até 700dc quando foi conquistada pelos mulçumanos, atingindo seu apogeu de prosperidade.  Em 1248 é reconquistada pelos Reis Católicos e a história se repete: conversões, perseguições, miscigenação e sobrevivência.
Como todas as cidades de Andaluzia, passou por mãos muçulmanas e cristãs cujas batalhas foram vividas à luz de muita violência e devastação. Na Guerra Civil houve mais uma etapa de destruição e a decadência se instalou. Talvez seja por isso que a cidade tem encravada nas suas arquiteturas uma diversidade cultural e um povo muito acolhedor. Todas misturas passam por Sevilla e sua história deixou a alegria de viver como marca em seu povo, como se comemorassem todos os dias o simples fato de estarem vivos.
A Alameda Hercules, nossa base em Sevilla, é uma região muito bacana que existe desde 1574. Hoje é rodeada de bares e um dos points da boemia alternativa de Sevilla. No início era um jardim público da alta classe que passou pela decadência no período da Guerra Civil e foi revitalizado recentemente, tornando-se um centro de arte e cultura alternativo. No final do dia os bares aplacam o calor com as sombras das árvores e  uma cerveja gelada. Um ótimo lugar para o ócio e boas conversas. No começo da manhã esses mesmos bares abrem e servem café da manhã a preços generosos.
Bem perto da Alameda Hércules está o centro monumental de Sevilla: parte turística obrigatória. Ou seja, essa foi mais uma decisão para ajudar a minha amiga a se sentir mais segura e com facilidade de se integrar na dinâmica da cidade: a localização do Hotel e a mobilidade. Aproveitamos nosso primeiro dia para caminharmos pela Alameda Hercules até La Campana: rua de muita importância desde 1510 quando era conhecida como a “Calle de Pasteleros” por ter lojas de fabricação e vendas de doces. Atualmente mantém uma referência dessa época com a doceria Campana, desde 1885. A partir da Campana vários pontos da cidade estão interligados, principalmente o centro comercial e a Calle Sierpes, a “famosa”. Sabe porquê?
É aonde ficam as lojas famosas e de marcas e as pessoas passeiam alegremente e despojadamente pelas lojas e rua, sob o frescor dos toldos que cobrem toda a extensão da Calle Sierpes.
No 2º. dia a programação foi Catedral e La Giralda , com direito à subida pelo mirante. La  Giralda vem do antigo minarete que era parte da Mesquita Mayor. A história começa quando Sevilla é conquistada pelos muçulmanos e a Mesquita Mayor e a torre (La Giralda) são construídas neste período que vai de 700 a 1200dc aproximadamente.  No século XIII, quando os reis cristãos reconquistam Sevilla, a Mesquita é convertida a Igreja dedicada a “la Asunción de María”. Somente nos séculos XV e XVI as construções são finalizadas e hoje conhecemos como Catedral Gótica de Sevilla.  Durante esse período sobreviveu a 3 terremotos e no local encontram-se os restos mortais de Cristóvão Colombo e os túmulos dos reis. Além da parte interna deslumbrante e a subida na torre (de tirar o fôlego literalmente), a dica é descansar no Pátio de los Naranjos com seus jardins, fonte e sombras.
Depois da Catedral, seguimos ao bairro de Santa Cruz, na parte mais antiga da cidade  que tem como referência ter sido uma “juderia (bairro dos judeus). A comunidade judia de Santa Cruz foi a 2ª. mais importante da Espanha, sendo a primeira, a comunidade de Toledo. De arquitetura gótica, o bairro fica entre a Catedral e o Real Alcazar (palácio em estilo mourisco). Suas ruas estreitas e praças cheias de arvores rodeadas de lojas de lembranças, artesanato, doces e cerâmicas, também convidam à boemia, pois nessa região se concentram muitos bares de tapas.  Ainda nessa área antiga, um paradoxo: o Parasol na Praça La Encarnación! Difícil entender esse monumento que traz uma modernidade que contrasta muito com a região antiga. “Las Setas” ou Parasol, é uma construção de madeira formando 6 guarda-sóis (inaugurada em 2011). Conhecida como “Las Setas” porque lembra muito o formato de cogumelos. 


Além da área de contemplação e vista da cidade, é no subterrâneo que fiquei de boca aberta: lá encontra-se o  Antiquarium, um museu arqueológico com vestígios romanos e árabes, descobertos na 1ª. fase da construção do Parasol e podem ser da época de Tibério 30dc, indo até Século VI com vestígios romanos e construções islâmicas dos séculos XII e XIII.

E o dia acabou? Nada!
Final da tarde com sol alto, seguimos para o Museo Flamenco  para uma imersão completa: além de conhecermos a história de grandes nomes, vivenciar o museu interativo e conhecer as origens e influências de outras culturas, assistimos o tablao flamenco para fechar a visita com chave de ouro. A dinâmica desse museu é muito bacana, pois por um valor único (e bem acessível) pode-se visitar o museu e esperar o horário do tablado que acontece pelo menos umas 3x ao dia.  









No 3o dia, já em ritmo de despedida, fomos à Plaza de España. Taí um lugar que consegue definir bem Sevilla! Localizado no Parque Maria Luísa, foi construída entre 1914 e 1929.  A diversidade de pontos de observação e contemplação rendem fotos maravilhosas. Ao redor da praça tem bancos que representam as províncias espanholas, representadas, cada uma, pelo seu escudo, um mapa e uma figura artística. Essa praça foi cenário filmes conhecidos como Lawrence de Arábia de 1962 e  Star Wars Episódio II: O Ataque dos Clones de 2002. Além da arquitetura e diversidade de contemplação, musicalidade ao ar livre com artistas de flamenco e outras modalidades nos prendeu por horas e sem vontade de voltar à realidade. 



Fechamos nossa última noite em Triana para conhecer o outro lado de Sevilla e cruzar a famosa “Puente de Triana” sobre o rio Guadalquivir. Impossível não associar Triana ao flamenco,  aos grandes nomes de toreros e aos perseguidos pela inquisição. Um bairro inicialmente habitado pelos ciganos e judeus, porém, o prédio da sede central da Inquisição (1481) ficava no antigo castelo de São Jorge, bem na saída da ponte (onde hoje é o Mercado de Triana), chancelando a ocupação cristã. Hoje o bairro é uma boemia cool.


Saindo da Puente de Triana,  logo em frente, está a Plaza del Altozano onde ainda se encontram construções antigas, como a farmácia, a estátua de um torero e a estátua de uma mulher flamenca, dando as boas-vindas a quem chega. Toda a praça segue com um burburinho de bares e lojas. À direita da praça,  o Mercado de Triana e as relíquias arqueológicas do Castelo de São Jorge na parte inferior do mercado, local onde foi sede da Inquisição de 1481. Saindo pelo mercado chegamos no “callejón de la Inquisición” (beco da inquisição) e as ruas seguem como por exemplo na calle San Jorge que se encontra o museu de cerâmica: uma antiga fábrica de cerâmica de 1870, e, claro, a “lojinha” para não deixar a gente com água na boca. Na base da ponte de Triana também se encontram restaurantes maravilhosos com uma vista belíssima para o rio, e à esquerda, a Calle Betis e todo um passeio que contorna as margens do Rio Guadalquivir, também com tablados flamencos e restaurantes e bares.  
O que fazíamos às noites? Bares, caminhadas, bares, tapas e conversas. Conhecemos pessoas, fizemos novos amigos, criamos novas memórias, reencontramos alguns amigos e ficamos com muita saudade.  Intenso não?

















Sevilla é assim mesmo. Desconheço quem simplesmente “passou” por Sevilla e não se apaixonou pelos seus cantos e encantos. Não dá para explicar Sevilla de um a forma simples, racional e objetiva. Sabe Porquê?

Porque Sevilla tiene una cosa!

Próxima parada desse roteiro andaluz? Granada, tierra soñada ....Aguardem!!!!!


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Dica para a 1ª. Viagem Solo? ESPANHA, com certeza!


Compartilho muito sobre minhas experiências de viagem solo, principalmente para inspirar mulheres que querem ir pela 1ª. Vez.
Já falei aqui sobre planejamento, decisões, finanças, sensações, solidão, etc.
Mas tem uma pergunta que é recorrente:
Qual destino eu indicaria para alguém que quer fazer sua primeira viagem solo?
Minha 1ª. Experiência sozinha foi na Espanha e lá estive outras vezes. Definitivamente é para onde eu sempre desejo voltar e volto.
A época que mais gosto de estar lá é no verão, e já pensando nas etapas de planejamento para uma bela viagem no verão europeu/Espanha, decidi compartilhar dicas e lugares que são excelentes e acolhedores para mulheres sozinhas.
Para planejar um destino, a primeira recomendação: pesquise muito! Entre na realidade e descubra as facilidades que a Espanha pode proporcionar numa primeira viagem solo.
Porque a Espanha é um destino especial para a sua viagem solo?
O calor escaldante até poderia ser desanimador, mas o contraponto é a animação que embala todos que lá estão e tem uma alegria muito parecida com o Brasil.  No verão, o sol desaparece depois das 10 da noite.
Um país que proporciona segurança para circular pelas cidades, excelente rede de transportes entre as cidades, seja de trem ou ônibus e é possível caminhar contemplando cada pedaço da história por várias cidades.
E uma dica: eu procuro ir de TAP para dar aquela passadinha em Portugal. Que seja pelo menos de 1 dia. O aeroporto de Lisboa é muito agradável e é muito fácil tomar aqueles ônibus de turismo e dar uma voltinha na cidade, antes de seguir para Espanha
Tem uma outra coisa que eu gosto muito: a informalidade da Espanha no verão. Isso me proporciona uma mala muito menor.
A língua não é problema algum. O país recebe pessoas de vários lugares do mundo e é muito fácil se comunicar e se divertir com o português mesmo ou algumas poucas palavras hispânicas.
As possibilidades são inúmeras e recomendo alguns roteiros para aproveitar bem as diversas opções:
Madrid + Andaluzia
Madrid + Barcelona + Cataluña
Portugal + Galícia
Andaluzia + Marrocos
Quando fui a 1ª. vez (2002) fiz uma excursão pela Espanha completa por cerca de 23 dias, apesar de ter sido muito corrido, tive uma degustação de todas as culturas da Espanha e foi nessa viagem que conheci o flamenco. Já pensou em fazer aulas de flamenco? Sim, é muito comum mulheres de todas as idades e de vários lugares do mundo se permitirem essa ousadia mesmo sem nunca terem feito aula no Brasil.

Apesar de ser conhecida como a cidade para notívagos, a cidade é cheia de atrativos de dia para quem ainda não tem muito segurança em sair à noite sozinha. Mas atenção: no verão, o sol se põe depois das 10 da noite, fatalmente você estará circulando pela cidade à noite
O que você encontrará em Madrid? um roteiro cultural, tapear pelos bares, se integrar na rotina da cidade, tudo isso sem receio de estar sozinha. É possível também conhecer Toledo, num dia de bate-volta e trem, seguro e divertido.
Aqui, nesse link, escrevi um roteiro detalhado sobre Madrid, mas resumindo, você pode: bater perna o dia todo, ir ao parque do Retiro, caminhar pelo Palácio, conhecer o Prado e a Reina Sofia, museus imperdíveis e maravilhosos com café acolhedor e comer muito bem e do jeito que você se sentir mais à vontade.

Andaluzia é o sul da Espanha, com uma cultura predominante árabe e cigana, composta de 8 províncias, cuja capital é Sevilha! Cada província merece ser visitada por um dia e algumas merecem mais dias de permanência, tais como Granada, Málaga, Cadiz e Sevilha. A melhor forma de conhecê-la é de carro, trem ou ônibus!
O clima é bem definido: no verão podemos ter até 45 graus em algumas cidades (Sevilha é uma cidade bem quente) e no inverno cheguei a pegar uns 5 graus em Granada. A região é forte na produção de azeite e de vinhos finos de Jerez.  A cidade mais populosa é Sevilha, com cerca de 700 mil habitantes, seguida por Málaga (500 mil), Córdoba (300 mil), Granada (230 mil) e Jerez de la Frontera (200 mil). Nessa região se concentra a população cigana na Espanha que gira em torno de 500.000 a 800.000 indivíduos.
Então imaginem a região com forte cultura árabe, que tem na sua população a concentração do povo cigano da Espanha e está ali, pertinho da África! Entenderam porque não dá para comparar Andaluzia com outras regiões da Espanha?
Por ter a maior concentração da população cigana da Espanha, é muito mais fácil encontrar flamenco em cada uma dessas cidades e escolas para conhecer, além dos shows de tablado.


Taí uma cidade que encanta e te deixa muito à vontade. Lugares excelentes para hospedagem para todos os bolsos, muitas pessoas viajando sozinhas, simpatia por todos os lados à maneira andaluza. Eu a considero a Paris de Andaluzia. Tão linda, elegante, cheia de mistérios, histórias e personalidades. Sevilha foi o berço dos intelectuais do romantismo no séc XVIII e inspirou muitos romances, filmes, músicas e proporcionou muitos encontros com festas andaluzas. Foi também a inspiração de filmes hollywoodianos entre as décadas de 40 e 50, onde nasceu o estereótipo cigana e toureiro. Hoje é um destino badalado e de passagem quase que obrigatória de quem vai à Espanha. E o mais impressionante é que quem vai pela primeira vez, volta com a sensação de que deve voltar pelo resto da vida.
E o que podemos encontrar nessa cidade tão forte?



sábado, 28 de setembro de 2013

sábado, setembro 28, 2013

GRANADA ESPANHA ....Voltando para casa

Ao todo foram 4 vezes em Granada. Se é verdade que cada um tem seu local de paixão, o meu, definitivamente, é Andaluzia e mais precisamente, Granada. Não tenho uma explicação porque essa cidade exerce tanta influência sobre mim.  Granada é uma mistura viva e intensa de árabes, ciganos e judeus. Ainda não se sabe se Granada tem Alhambra ou Alhambra tem Granada...mas certo e fato é que quem a conhece, não esquece jamais. Se divide em 02 partes distintas: a partir da Plaza Nueva, encontramos o Bairro de Albaycin, Sacromonte e Alhambra imersas numa história da época dos mouros e católicos, onde árabes, judeus e ciganos se mesclaram para sobreviver, e, por conseguinte, surge daí o flamenco. Depois da Plaza Nueva (descendo a Gran Vía), a cidade toma forma de modernidade com o centro comercial e a Catedral, cuja realidade é mais próxima do que estamos acostumados, misturando o novo e o antigo da arquitetura.
Desta vez minha ideia foi uma imersão no mundo flamenco com uma programação de 3 horas diárias de aulas por 2 semanas na Escola Carmen Cuevas . A escola oferece cursos de espanhol, guitarra flamenca, história de flamenco e baile/técnica flamenco. A qualidade é comprovada pela frequência de alunos de toda parte do mundo, pois abraça o turista que quer viver um pouco de Andaluzia, atendendo aos vários tipos de necessidades. Além disso, oferece também alojamentos (aptos. ou casas) e o mais importante: pessoas de todas as idades estão aqui!
Além das aulas, fui buscar e experimentar coisas novas em Granada, onde tive a chance de desfrutá-la calmamente no calor de um verão intenso com temperatura próxima aos 44 graus. A cidade ferve em todos os sentidos nessa época: muitos jovens, estudantes em férias, turistas de passagem, pessoas alternativas e sem rumo, tudo isso e uma vontade imensa de ficar parada, observando e deixando o ar de Granada falar. Vi e conheci pessoas (muitos brasileiros) que estavam “de passagem por Granada”, arrependidos de não terem tido informações prévias sobre a riqueza cultural do local e extasiadas com tanta coisa que não poderia ser vista ou vivida, porque estavam de passagem...e gente...passagem em Granada não dá para ser feita numa tarde (vamos combinar né?) ...então, amigos, por favor, mesmo de passagem, reservem pelo menos 2 dias/3 noites para Granada. Garanto que será uma experiência única.
Vivendo Granada
Fiquei hospedada na Plaza Nueva, no hotel Maciá Plaza um ponto estratégico que divide a Granada rustica da moderna. Seguia diariamente para Albaycin (uns 3kms), passando por Alhambra TODOS OS DIAS e cada dia via uma Alhambra diferente. As noites foram para os shows de flamenco e tapear nos bares, sem pressa. Essa é uma coisa importante: não tenha pressa e todos seus sentidos estarão extremamente aguçados. Deixe Granada entrar em você.  Numa noite dessas, fui ao Hamman Andalusi de Granada. Fica numa rua no início da Carrera del Darro. Foi providencial fazê-lo à noite depois de 1 dia intenso de aulas.
Uma pausa ao estilo árabe, permitindo-me banhos de temperaturas distintas, massagens e o típico chá de menta. Apesar de ser misto (homens e mulheres juntos), todos estão em trajes de banhos e não há “conversas” para não atrapalhar o momento de descanso e meditação. O local, com arquitetura tipicamente árabe, a musica ambiente que envolve o silencio e a iluminação (sempre penumbra), tudo isso nos deixa anônimos, quietos e meditativos. Fazer um hamman é uma experiência de pura luxuria e muito contato consigo mesmo. As vozes internas ficam nítidas e a mente clara. Um tempo de reflexão e relaxamento. Além disso, estar em Granada é permitir-se ao desfrute, deixando-se esquecer o presente e viajar num tempo de pequenos prazeres que os árabes já tinham há milhares de anos atrás.... Ah! Isso não tem preço.

Ali, bem pertinho da Plaza Nueva, tem a concentração de restaurantes e teterias (casas de chá) árabes e o Mercado Árabe - La Alcaicería (onde foi uma antiga medina muçulmana). O local fica entre ruas estreitas cobertas por “tendas” árabes onde pode-se comprar um típico artesanato e ainda parar para um chá. Durante as noites de verão o mercado ferve no vai-e-vem de turistas loucos com o artesanato local.



Aos pés de Alhambra 
Durante o dia, nada melhor que ficar aos pés de Alhambra, contemplando a suntuosidade e a delicadeza desse palácio, cujo reino foi marcado pela tolerância religiosa de 1200 até 1492, quando a cidade foi conquistada pelos reis católicos. Contemplá-la, ouvindo o barulho do rio e o vento nas árvores, faz de Alhambra uma rainha. Programa especial é jantar num dos restaurantes no Paseo de Los Tristes, sob a vista do Palácio e imaginando histórias. Descobri que existe a visita dentro dos palácios à noite, com uma perspectiva bem diferente dos passeios durante o dia. É permitido visitar os Palácios e admirar a arquitetura contornada pela luz da noite e a penumbra dos jardins. E nessa noite era lua cheia e a cada ambiente visitado, imaginei e invejei Washington Irving escrevendo seus contos....e os barulhos? A mistura da água das fontes, do vento leve de verão, faz com que Alhambra seja uma orquestra ouvida, sentida e desejada.


 Albaycin 
 Albaycin é um pedaço histórico dos mais importantes de Granada que mostra a presença árabe na arquitetura de suas ruas e casas com seus jardins que exalam jasmim. A escola fica no coração de Albaycin. Subir suas ladeiras no silencio do calor escaldante e mortal, passando pelas casas que tão brancas refletem a luz que num momento confundem os olhos, explica porque no verão todos ficam trancados em suas casas, no frescor de seus jardins. De repente, entre uma ladeira e outra, aparecem praças como oásis com seus pequenos restaurantes e um bom local para descanso. E a vontade é nunca mais sair de lá, até o calor acabar. Passagem obrigatória para a melhor foto da vista de Alhambra e terminar a visita ao bairro, é chegar ao Mirador San Nicholas.








domingo, 29 de julho de 2012

domingo, julho 29, 2012

ANDALUZIA – Málaga, um caminho para a África!


Conhecer Málaga foi uma oportunidade integrada com o curso de Flamenco do Festival de Jerez 2012 e a proximidade física para o Marrocos, com um detalhe: eu queria cruzar o Gibraltar pelo mar. A minha agente de viagens, Dayse - New Age, descobriu um grupo saindo de Málaga para o Marrocos no período que eu queria e de ferry boat...além disso, o custo terrestre era muito atrativo. Programei 2 dias de permanência em Málaga, antes de seguir para Marrocos.
Esta seria a 4ª. cidade de Andaluzia que eu teria a chance de conhecer e me aprofundar na cultura e na história. E claro, uma referência para aficionados pelo flamenco como eu.
Como tinha somente 2 dias, programei alguns locais para mais próximos do centro histórico para conhecer e aproveitei para explorar a cidade caminhando à noite. Era inverno e carnaval, por isso a parte litorânea não estava atrativa para mim. Concentrei-me na cultura e na gastronomia e confesso que o que mais me encantou foi a noite de Málaga. A cidade de Pablo Picasso e Antonio Banderas é leve, fácil, alegre e bem cosmopolita. Adorei a proximidade de tudo...todas as culturas lado a lado. Uma cidade descontraída onde as noites (mesmo de inverno) são quentes e animadas, regadas pelo famoso vinho Moscatel.
Como todas as cidades Andaluzas, aqui passaram fenícios, romanos e árabes. Também foi um berço para o desenvolvimento do flamenco, onde surgiu o VERDIALES, que é um cante folclórico, anterior ao flamenco, de grande influência árabe e em meados do século XIX aparece um baile chamado “MALAGUEÑA", procedente do FANDANGO. Ambos se aflamencam e fazem parte de nosso repertório de cante e baile flamenco. 
Além de ser uma cidade artística, moderna, turística por suas praias e sol e uma referência de flamenco, existe um patrimônio histórico e cultural que merecem atenção especial.
Comecei explorando a Calle Marques de Lários, onde existe uma concentração de comércio e bares/cafés e restaurantes, além de dar acesso à parte mais histórica da cidade. Toda a rua estava adornada para o carnaval e muitos blocos desfilavam um carnaval jocoso com musicas que faziam referência a “chistes” locais. Fiquei hospedada no hotel Bahia Málaga, muito próximo à Marqués de Lários e Avenida Principal, com excelente localização e quartos bem agradáveis.
Seguindo a Calle Marqués de Lários, encontrei o Monumento a Larios, do século XIX, dedicado a Manuel Domingo Larios y Larios quem construiu a dita rua (que leva seu nome). A Marques de Lários é excelente para acesso a vários pontos turísticos. 
Seguindo-a, descobri a Catedral que tem sua origem nos séculos XVI/XVIII e se chama “Encarnación”. No passado, foi uma Mesquita. A obra ficou inacabada, por isso seu apelido “La  Manquita”.  Caminhando para depois da catedral, encontramos o Alcazar que deve ter sido construído entre os séculos XI/XIV e já foi um Palácio muçulmano e o Teatro Romano – do Século I AC, está aos pés do Alcazar. Pela história, sabe-se que foi da época de Augusto e depois foi utilizado para armazenamento de materiais do período muçulmano. 
Pelos arredores, é fácil encontrar o Museo Picasso, que fica no Palácio de Buenavista. Um prédio renascentista do século XVI que abriga a coleção permanente de Picasso (mais de 200 obras entre pinturas, desenhos, esculturas, etc), bem como peças fenícias.
E, claro, não poderia deixar de falar sobre o Museo de Arte Flamenco, "PeñaJuan Breva" que tem mais de 5000 peças, entre discos, guitarras, aparatos, adereços de baile, vestidos, etc, do período do século XIX/XX. No térreo do museu tem um bar e espaço para apresentações de flamenco.
A gastronomia é uma diversão à parte....muitos pescados e vinhos. Deliciei-me no Moscatel, o vinho mais consumido na cidade. E pelo frio que estava, caiu muito bem. Por isso que as noites são quentes....imperdível...não deixe de conhecer :
El Chinitas, fica no centro histórico, com acesso pela Calle Marques de Larios. Um local aconchegante, tradicional e de uma perfeição gastronômica, além do ambiente flamenco. Possui salas mais reservadas para grupos e uma decoração bem antiga. No térreo fica o bar o nos andares superiores o restaurante. Bastante romântico e recomendado para noites especiais. E ponto!
El Pimpi, é uma bodega mais que especial e me encantou. De noite, na parte interior, um ambiente típico andaluz, as garçonetes se vestem de flamencas, muita gente jovem e musica flamenca. Passei uma das noites mais relaxadas e alegres. De dia, de frente para o Teatro Romano e Alcazar, ao ar livre, um local de deleite visual e apreciação das tapas e, claro, famoso Moscatel...Esse local é para ir e ficar, sem pressa...e foi aí que me despedi de Málaga, mais uma janela Andaluza.
De Málaga, seguimos para Algeciras (onde fica o Porto de Tarifa – saída do ferry boat para Marrocos). Um pedaço de Andaluzia (Cadiz), Algeciras tem nome árabe, com sangue cigano. Cidade de Paco de Lucia ...quem compôs “Entre Dos Águas”....uma homenagem à cidade que fica entre as águas do Mediterrâneo e Atlântico...Algeciras nem está lá e nem cá..Algeciras...é a porta para um mundo diferente....é a porta para a África e uma nova aventura recomeça...brevemente Marrocos....

quinta-feira, 12 de julho de 2012

quinta-feira, julho 12, 2012

ANDALUZIA - Jerez...a minha Janela Andaluza que fechei...


Esse é um pedaço de Andaluzia muito peculiar. Os atrativos turísticos são mais visíveis para quem se identifica fortemente com a cultura flamenca, apesar de que, Jerez de La Frontera (que pertence à província de Cadiz), tem todas as influências muçulmanas e romanas das cidades de Andaluzia, cuja história se repete e se consolida com a sobrevivência dos excluídos e foragidos árabes, judeus e ciganos. É uma cidade rica culturalmente que deve ser descoberta e explorada turisticamente. Além da história, a cidade é conhecida pelo Circuito de Fórmula 1 e pelo vinho de produção local (Jerez). É muito boêmia. As noites de Jerez são um atrativo à parte, isso porque é uma cidade “esteticamente” cigana onde isso é percebido claramente na fisionomia, principalmente, dos homens e no comportamento “descompromissado” e “calmo” entre um trago e outro, o que também não seria impossível presenciar, de madrugada algum deles se exaltar e quebrar uma garrafa e começar uma briga...aquela coisa assim, bem passional. digna de gitanos....
Jerez é considerada a "Cuna del Arte Flamenco, pois foi aqui que surgiram muitos cantaores, bailaores e guitarristas, provenientes dos bairros de Santiago e São Miguel, onde faço uma referência especial à Lola Flores e Paquera de Jerez. Foi daqui que surgiu a Buleria, um tipo de baile festivo, da improvisação de grupos em festa, seja no canto, seja no baile. É uma brincadeira tradicional e muito comum, típico das famílias jerezanas.


Como fui parar em Jerez... 
A 1ª. vez (2011) foi uma decisão de “susto” e de “impulso”.  Normalmente, escolho circuitos comerciais e turísticos para férias, porém, Jerez apareceu sem férias, num dia normal de aula de flamenco onde a professora comentou que tinha saído a programação do Festival de Flamenco de Jerez e o quanto era enriquecedor “beber na fonte” o que buscamos.
Foi um delírio sonhar com a possibilidade. E não é que deu certo? Um pequeno grupo sonhou e foi ver o que era o Flamenco no seu berço. Decisão rápida, grupo formado e claro, dinheiro contado. Tive que praticar direitinho o “planejamento”, pois sequer eram férias e não tinha reserva financeira. Eu tinha 5 meses a contar da inscrição nas aulas do Festival para organizar-me financeiramente para a viagem.




Visite Brasília

Andrea Pires

Com Salto&Asas é um lugar de verdade, onde compartilho as memórias das viagens que mudaram minha vida e que me transformam diariamente. Sonhar, Planejar e Realizar, o melhor caminho para ter o Mundo nas Mãos! comsaltoeasas@gmail.com

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