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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

quinta-feira, janeiro 04, 2018

(Re) conhecendo nosso Rio de Janeiro - SANTA TERESA – RJ

O Rio de Janeiro tem um mundo de história em cada esquina, porém muitos turistas se concentram na zona sul por motivos óbvios: praia e paisagem que deixa qualquer pessoa sem ar! Quem nunca ouviu comentários sobre a beleza estonteante do Rio em ter o mar e montanhas numa mesma vista? Concordo plenamente. 
Mas tem uma coisa que não deixo passar por nada em cada viagem:  as histórias que cada lugar me conta! Que batalhas, dores, descobertas, amores e paixões esses locais me trazem na memória? E o Rio tem histórias que merecem ser (re) lembradas, (re) conhecidas, exploradas e compartilhadas. ComSaltoeAsas foi nas origens que contam sobre a nossa colonização e todas influências culturais, políticas e sociais, e porque não dizer até “emocionais?
Rio de Janeiro, capital do Império, desde que D. João parte de Portugal para o Brasil em rota de fuga por causa da invasão das tropas Napoleônicas. A colônia tornou-se sede do Governo de Portugal em 1808 e assim o Rio foi se transformando sob forte influência portuguesa, nossas raízes africanas e no seio de uma turbulência de encontros e desencontros culturais. Transferir a corte para o Brasil era transferir também costumes, valores, educação, crenças. A intensidade dessa ocupação está em cada pedaço deste chão.

O bairro de Santa Teresa é parte de tudo isso. Conhecido como um bairro de classe média alta, famoso desde séc. XIX principalmente pelas casas elegantérrimas de inspiração francesa. Pelas ruas do bairro é possível sentir a história viva e com a elegância de ter o bonde como meio de transporte!
O bairro começou com o convento “Santa Teresa” no séc. XVIII e também com a vinda de famílias nobres e ricas para região.  O bonde mesmo surgiu em 1872 e fiquei sabendo que a cor era verde mas foi substituída pelo amarelo porque os moradores diziam que o bonde se confundia em meio à vegetação e muitos não o viam se aproximar causando acidentes e contratempos.
Hoje o bairro é ocupado por intelectuais, acadêmicos, artistas e pessoas que buscam essas características históricas e culturais, além da qualidade de vida que proporciona.  Famoso pela gastronomia e boemia, considerado uma das principais atrações turísticas e carinhosamente apelidado de “O Montmartre carioca", uma alusão ao bairro francês!
Esse roteiro apaixonante me foi apresentado por um projeto de turismo da cidade chamado Revelando o Brasil. Esse projeto tem mais de 15 mil seguidores no Facebook onde é feita toda a divulgação e agenda das atividades. Surgiu em 2016 a partir do encontro de guias de turismo apaixonados pela cidade do Rio que trouxeram um modelo já conhecido na Europa chamado free walking tour. A ideia é proporcionar roteiros instigantes, curiosos, apaixonantes e cheios de histórias peculiares. E cá entre nós: conhecer a história do Brasil é muito difícil com tantos detalhes! Mas o Revelando o Brasil é “expert” nisso!
O tour começa bem cedo no Largo da Lapa, ali ao lado da sala Cecília Meireles com vista para Igreja Nossa Senhora da Lapa do Desterro. Após uma breve apresentação da Guia de Turismo (com aquela simpatia inerente ao carioca), seguimos pela Rua Teotônio Regadas e avistamos os grafites Selarón e outros artistas. A sensação é estar entrando num filme de época.
Ela aparece belíssima, como se fosse um grande tapete colorido, onde o vermelho se destaca ao percorrê-la: Escadaria Selarón (que também era conhecida por escadaria do Convento de Santa Teresa) é uma obra de arte criada pelo artista chileno radicado no Brasil, Jorge Selarón, em "homenagem ao povo brasileiro". 

















domingo, 31 de março de 2013

domingo, março 31, 2013

Rio de Janeiro - RJ – para os amantes da história... Circuito da celebração da herança africana

Morro da Conceição e arredores – Praça Mauá, Saúde e Gamboa



Desafio enorme trazer para o blog um roteiro sobre o Rio de Janeiro, minha cidade Natal. Eu não o conheço com legitimidade para falar. Por isso, convidei minha prima irmã que vive o Rio de verdade e que tem uma paixão avassaladora por história e pela história do Brasil. Então, mantendo meus princípios de “realidade” e “possibilidades” com o blog, faço questão de mostrar o Rio de Janeiro mais que encantador, que ainda vou conhecer, mas que não tem a visibilidade merecida. Será que as pessoas sabem que o Império e seu legado estão na zona norte do Rio de Janeiro? E não estou falando de turismo de gringo em favela pacificada, estou falando da história da Família Real no Brasil, onde tudo começou. É lá, em São Cristóvão e arredores que está a “jóia” da coroa quando se fala da história do Brasil, porque era lá que a vida seguia com suas agruras, culturas mescladas e a formação da nossa sociedade. Esse roteiro é para quem gosta de “viajar”(em todos os sentidos!). Conhecer com quem é de lá, tem um gosto especial: beber na fonte com taça de cristal! Esse tour (de 1 dia) pode ser acoplado a qualquer tempo que você esteja no Rio. Além das maravilhas que já conhecemos e das praias badaladas, fazer esse tour pode ser um encontro com nossas raízes mais distantes...então...boa viagem com Márcia Almeida....
“Trabalhei, por muitos anos, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Da janela da minha sala, tinha uma visão dos morros da Providência e da Conceição. Já havia visitado o Morro da Providência e nem sabia o nome do morro que ficava bem na frente do prédio (era o Morro da Conceição). Da janela, sempre via uma espécie de sobrado no alto, cercado por mato e muita sujeira, além de um pedaço de um observatório, no cume. Descobri que na altura desse sobrado, com muros em pedra e uma escadaria enorme, eram feitas as vendas no mercado escravo. Aquelas casas em ruínas e abandonadas, haviam sido um centro comercial de vidas humanas. Soube também que o mar chegava bem perto dali. Era um cais onde ancoravam os navios negreiros e de cargas. Após alguns anos, descobri várias histórias sobre o Morro da Conceição e a que mais me alegrou foi saber que não se tratava de um morro comum, como as chamadas favelas. Sim, lá as ruas são de paralelepípedos e as moradias são pequenos sobrados da época colonial do Brasil. Esse morro é um dos quatro onde se iniciou a colonização da cidade do Rio de Janeiro. Por estarem localizados estrategicamente em pontos que auxiliavam a defesa contra invasores, os Morros do Castelo (onde realmente se iniciou a ocupação da cidade), de Santo Antônio, de São Bento e da Conceição, eram os lugares mais seguros para que a população se alojasse. Área nobre nos séculos XVII e XVIII, o Morro da Conceição teve sua ocupação ligada a ordens religiosas e militares. Sempre fui muito interessada pelas histórias passadas. Comecei nas Grandes Guerras Mundiais, com afã de saber o que se passava na cabeça dos moradores das redondezas dos campos de concentração. Depois meu interesse se voltou para a vida dos escravos negros no Brasil e no mundo. Precisava saber como eram capturados, como sobreviviam ao transporte subumano e como era sua “adaptação” ao trabalho escravo. Com a escolha do Rio para sediar a Olimpíada 2016, começaram as mudanças. Uma delas foi a revitalização da zona portuária, começando pela Praça Mauá e pelo Morro da Conceição. Foi aí que uma porta se abriu para mim.
A descoberta do roteiro

Pelo Facebook, indicado por uma amiga/sobrinha (Rosane Nunes), soube de um guia que estava realizando um passeio guiado pelo Morro da Conceição. Convidei minha irmã Regina e fomos ao encontro do César Matos 
(roteirodoporto.blogspot.com/
celular 21-6841 3932),
morador do morro e guia registrado. Antes de começar o roteiro, ele se apresentou e nos ofertou uma medalhinha de Nossa Senhora da Conceição, um mimo, que apesar de não ser católica, manterei guardada para sempre.  O circuito começa nas escadas que dão acesso ao morro, na Travessa do Liceu. É aqui que fica o Atelier Gaia - Casa de técnicas e Artes que além dos trabalhos expostos, possui cursos de fotografia e restauro, assim como o  Imaculada - Bar e Galeria, onde se pode saborear delícias, curtir música ao vivo e exposições (onde terminamos a noite, ao som da Roda de Samba do Sant'Anna. Subindo a Ladeira João Homem, nos deparamos com os sobrados, mesmo com alguns bem alterados em sua arquitetura, mas de beleza, simplicidade e encanto... Ali me dei conta de uma das mais belas vistas, onde pude observar, o interessante e belíssimo contraste, entre o atual e o antigo na arquitetura da cidade.  Alguns desses sobrados são ateliês, como o Atelier Paulo Dallier, um dos mais belos e emocionantes trabalhos que vi. Além da atenção e espontaneidade desse artista plástico, nos permite o livre acesso ao atelier que também é sua residência. Destaque para belo visual da Baía de Guanabara e arredores da Praça Mauá em seu terraço. Chegando ao topo do morro, encontramos a Praça Major Valô (ou Praça da Conceição) que é na verdade, um largo. No centro a figura imponente da imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do lugar. É nesse largo que fica a abandonada e antiga residência, do rico mercador de escravos, João Homem.
A história do Morro da Conceição e suas peculiaridades
Antes construída no Morro de São Bento, após a doação da área aos Monges Beneditinos, a ermida dedicada à N. Sra. da Conceição, padroeira de Portugal, é transferida para o morro em frente em 1634, que passa a se chamar Morro da Conceição. Poucos anos depois a ermida e respectiva chácara, de propriedade de um português, são doadas à Ordem do Carmo. Alguns anos depois passa a ser a moradia do bispo D. Francisco de São Jerônimo (cujo corpo foi sepultado no interior da Capela do Palácio), de onde surge o Palácio Episcopal da Conceição.  O edifício foi utilizado como residência até a transferência da sede para outro local No início do século XVIII, após nova invasão francesa, debelada pelas forças de Portugal é iniciada uma “muralha” destinada à defesa da cidade pelo lado de terra. É construída a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, devido à necessidade de instalar canhões em um local alto o suficiente para varrer com a sua artilharia o trecho da orla marítima que se estendia do Valongo (hoje Av. Barão de Tefé) à Praça Mauá. Essa fortaleza, construída nos fundos do terreno da ermida, descaracteriza a construção anterior. Em 1718, por ordem real, calaram seus canhões para não perturbar os religiosos vizinhos. Ficando dessa forma, conhecida como a única fortaleza, que nunca disparou um tiro de canhão. O “Portão de Armas”, ainda localizado no mesmo local, desde 1718, encontra-se em perfeito estado de conservação. Há ainda necessidade de falar da alta muralha de pedra, com quatro ângulos fortificados e um baluarte em cada ponta. Enquanto caminhávamos dentro da fortaleza, conhecemos um pouco da época religiosa da construção e da sua utilização como área militar. Duas características tão diferentes e distantes, situadas em um mesmo lugar, com um planejamento que não chega a nos fazer sentir como se estivéssemos em dois mundos completamente diferentes. A paz que representa o antigo Palácio Episcopal, e a guerra representada nas fábricas de armas e nas masmorras onde estiveram aprisionados representantes da Inconfidência Mineira, são bem dispostas de forma a não causar nenhum tipo de sensação ruim à nós. A antiga Capela, ainda preservada, hoje é a Biblioteca do local. E existe um pequeno museu cartográfico, com detalhes do início desse serviço no Brasil. FOTO 17/18/19. Tanto eu como minha irmã Regina, nos sentimos bem emocionadas, principalmente quando entramos na masmorra onde esteve, comprovadamente, o último prisioneiro do tempo da Inconfidência Mineira, Thomaz Antonio Gonzaga , que dizem por amor, escreveu em suas paredes um trecho do poema Marília de Dirceu
“Por morto, Marília, aqui me reputo: Mil vezes escuto o som do arrastado, e duro grilhão. Mas, ah! Que não reme, não treme de susto o meu coração. A chave lá soa na porta segura; abre-se a escura, infame masmorra da minha prisão. Mas, ah! Que não treme, não treme de susto o meu coração. Já o Torres se assenta; carrega-me o rosto; do crime suposto com mil artifícios indaga a razão. Mas, ah! Que não treme, não treme de susto o meu coração. Eu vejo, Marília, a mil inocentes, nas cruzes pendentes por falsos delitos, que os homens lhes dão. Mas, ah! Que não treme, não treme de susto o meu coração. Se penso que posso perder o gozar-te, e a glória de dar-te abraços honestos, e beijos na mão. Marília, já treme, já treme de susto o meu coração. Repara, Marília, o quanto é mais forte ainda que a morte, num peito esforçado, de amor a paixão. Marília, já treme, já treme de susto o meu coração.” 
Voltamos à Praça Major Valo, aonde chegamos à famosa Rua do Jogo da Bola cujo nome tem várias explicações: relativos aos escravos que se divertiam acorrentados a uma bola, ou um jogo de “bocha”, praticado pelos moradores portugueses..., vai saber! Essa rua tem uma magnífica vista da região portuária, acompanhando a muralha de pedra da Fortaleza da Conceição. E nos deparamos com mais um conjunto de casas antigas, com suas semelhanças aos tradicionais bairros de Portugal. Apesar das transformações urbanas ao seu redor, o Morro da Conceição permanece como lugar de moradia, nos fazendo sentir no interior, em plena cidade grande. Algumas com as datas de construção ainda em destaque, outras com pequenas modificações, mas uma em particular chamou a atenção de minha irmã Regina. As telhas do beiral. Quando ela me chamou não acreditei no que estava vendo. Telhas pintadas em tons de azul, combinando com a cor da casa. Fiquei sabendo que essa era uma casa de senhores portugueses de posses, pois esse tipo de telha era encomendado pelos moradores. Outro mimo doce e agradável foi a paradinha na casa do nosso guia, para recarregar nossas energias. Um lanche da tarde, embaixo do pé de graviola e com a vista do porto, bastante agradável. 

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Andrea Pires

Com Salto&Asas é um lugar de verdade, onde compartilho as memórias das viagens que mudaram minha vida e que me transformam diariamente. Sonhar, Planejar e Realizar, o melhor caminho para ter o Mundo nas Mãos! comsaltoeasas@gmail.com

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