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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

quarta-feira, janeiro 29, 2020

Colômbia e a Catedral de Sal, pertinho de Bogotá!

Chegamos em Bogotá num dia tenso. Toda a capital estava envolvida com o “paro geral”. Esse é um tipo de situação que não tem como prever. E, como estaríamos somente 1 dia em Bogotá, o que fazer? O centro da capital fechado. 
Como não tinha informações sobre a disponibilidade de transporte do aeroporto ao hotel com esse movimento de manifestações, optei em contratar um transfer no VIATOR  e recomendo demais. Imaginem que meu voo atrasou 2 horas e, na dúvida se o transfer estaria esperando ou não, consegui passar uma mensagem via email antes de embarcar e imediatamente recebi uma resposta que eles estavam monitorando minha chegada direto com aeroporto. Quando cheguei e tinha um senhor muito simpático e educado nos esperando no aeroporto já tarde da noite que nos levou ao hotel com todo o conforto e segurança. E a VIATOR tem muito suporte para os viajantes em várias questões.
Nosso hotel era perto da região do parque 93 ou “Zona T” para que pudéssemos ter mais acessibilidade à noite, com a região restaurantes e opções noturnas, porém, mais afastado do centro da cidade.O hotel que ficamos- HOTEL ANDES PLAZA e  a decisão foi acertada, pois não havia como ter mobilidade para o centro. Sem opção de conhecer Bogotá, o plano B entrou em ação: o que fazer 1 dia em Bogotá? Sair de Bogotá! 
Essa foi a recomendação do próprio hotel que, com muito zelo, não nos recomendou ir ao centro da cidade naquele dia em especial. 
No próprio hotel conseguimos um transfer seguro, de confiança e que com muita simpatia nosso levou para a Catedral do Sal em Zipaquirá. Um contratempo que nos proporcionou um encontro fantástico com a história de um Pueblo e suas minas.

Zipaquirá

Conhecida como cidade do Sal pela existência das minas de extração, fica perto de Bogotá (cerca de 25km). Pelas histórias e relatos, o local já existia antes mesmo da conquista espanhola quando possivelmente era habitada por povos indígenas. Em 1600 a “Villa de Zipaquirá” foi constituída e hoje é conhecida internacionalmente por sua Catedral de Sal que em 2007 foi reconhecida como “Primeira maravilha de Colômbia” e o centro de Zipaquirá foi declarado património histórico e cultural de Colômbia.














Catedral de Sal 

Um santuário católico impressionante construído no interior das minas de sal de Zipaquirá que os mineiros, muito católicos, tinham como proteção e devoção frente ao trabalho árduo e arriscado. Antes de iniciar a sua jornada de trabalho, eles enfeitavam os espaços com imagens religiosas dos seus santos e pediam bênçãos e proteção.

A catedral antiga é de 1954 e foi construída nas antigas galerias cavadas e foi dedicada à Nossa Senhora do Rosário, que na religiosidade católica é a Padroeira dos Mineiros. Devido aos riscos estruturais do local foi fechada em 1990.  Em 1995 foi inaugurada a atual Catedral que fica 60 m por baixo da Catedral antiga. 















Toda a extensão representa as estações da Via Crucis de Jesus Cristo e, além da igreja subterrânea, tem um centro cultural e comercial local com temas relacionados à história das minas e a diversidade dos recursos naturais, além do comércio de esmealdas. Os estudos arqueológicos confirmam que a exploração das minas já ocorria desde o século V.  O sal de Zipaquirá, que ainda hoje se concentra no local, tem cerca de 200 milhões de anos. A formação é por causa da pressão e calor que fez o sal se deslocar para as regiões das minas, cuja acumulação vem das montanhas de Zipaquirá. 

















O passeio consiste em três seções principais: Via Crucis, Naves e Altar principal.
Via Crucis: uma entrada principal leva ao túnel que muito bem sinalizado ao longo de todo caminho, percorremos as estações do Via Crucis que são desenhados nas rochas de sal. Tudo isso é feito com o suporte de áudio guia. O túnel leva a Cúpula central percorrendo cada estação do Via Crucis. O caminho leva a rampa principal aonde se vê a imponente cruz em baixo-relevo. Como toda catedral, as Naves levam ao centro da catedral com Altar principal




















É pelas naves que se chega ao centro e ao altar-mor e na parte mais profunda temos a visão da escultura "A Criação do Homem", homenagem a Michelangelo, obra talhada em mármore do escultor Carlos Enrique Rodríguez Arango. Quatro enormes colunas simbolizam os quatro evangelistas.


A caminhada é bem tranquila, mas o ar fica diferente por causa da umidade. No final eu fiquei bem cansada com a respiração pesada: metade disso era emoção mesmo.
O que realmente me impressionou foi constatar o que a fé e a devoção são capazes de movimentar: debaixo da terra, num ambiente naturalmente hostil, homens ainda conseguem se apoiar no que há de melhor e criar um acolhimento e conforto espiritual. 
E com apenas 1 dia em Bogotá, o que fazer sem mobilidade ao centro?
Comer muito bem!
Fomos ao Parque 93 que estava bem perto do hotel e por mero acaso optamos pelo Barra Chalaca - parque 93 e fechamos com chave de ouro: especialidade em frutos do mar, lamentamos não termos conseguido visitar o centro, mas satisfeitas pelo dia na Catedral de Sal. 

A próxima parada seria Cartagena e a ansiedade estava explodindo. E sabe o que melhor tiramos dessa parada em Bogotá?
Viajar é isso também. Nem sempre o plano funciona 100%. O que podemos fazer é rir e buscar outras alternativas. Mas a diversão tem que prevalecer.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

segunda-feira, janeiro 20, 2020

Colômbia - Grandes Motivos para ir e como se programar!

Somos América Latina com diferenças de colonização e temos a sorte do Brasil ser fronteira com quase todos os países. A América Latina é uma riqueza de cultura e história que foi palco de grandes conquistas, sofrimento e exploração de riquezas. E essa história está viva em cada país, cada cidade dessa linda América. E tem uma coisa que é comum e fato nessa terra unificada pela geografia, mas nem sempre pelas experiências, que é a alegria e otimismo! Ô povo alegre!!! Ô povo otimista.
A Colômbia é assim, multiplicada por 1000! Simpática, acolhedora, simples e alegre. 
Sem falar na gastronomia, que une as pessoas, a Colômbia é um arraso em culinária. Em todas as cidades come-se muito bem a preços justos. 
E gente forte, alegre e comida das melhores é a receita certa para um país festivo e de muita musicalidade. Para todos os cantos a música é parte da rotina, proporcionando uma paleta de cores especial para Colômbia.

Esse roteiro, que fiz na companhia de minha irmã, foi decisivo por alguns motivos pessoais: amamos ler e Gabriel Garcia Marquez é nosso ídolo. Amamos história e conhecer o caminho das índias por Cartagena era uma grande curiosidade. Amamos praia e conhecer o Caribe era um sonho. Com essa afinidade, fizemos nosso roteiro apertadinho mas completo:  1 dia em Bogotá,  3 dias em Cartagena e 3 dias em San Andrés

















Mas não é fácil viajar para alguns países da América Latina : a escassez de malha aérea reflete nos preços de passagem. Importante é ter flexibilidade e se programar com antecedência. Além da pouca oferta, é uma logística cansativa e muito “picada”.  Mas, quando a gente quer, a gente faz. E foi assim que nos programamos: 
Aéreo: mesmo pagando um pouco mais caro, decidimos por menos paradas. O tempo era curto para ficarmos muito tempo entre um aeroporto e outro.
Período de ida: estudamos bem o período para fugir das chuvas. Entre maio e novembro o risco de chuva é maior. A alta temporada no verão é muito concorrida. Decidimos ir início de dezembro que ficava no final das chuvas e antes do verão. 
Hospedagem: decidimos lugares que nos permitia mobilidade a pé e proximidade aos locais que queríamos conhecer, dado o pouco tempo em cada local. Hotéis mais centrais e mais simples.  
Bagagem: item importante para qualquer viagem, mas ainda estamos ensaiando em viajar somente com mala de mão. Acreditem: é um exercício difícil, principalmente porque já sabíamos que San Andrés é um ponto de comércio livre com todos aqueles produtos “objeto-de-desejo-e-supérfluos” que tanto gostamos de comprar.
Ajuda profissional na organização do roteiro: para otimizar nosso tempo, optei pela ajuda do Ricardo Ornelas da trip4u Brasília em quase tudo. É importante valorizar o trabalho profissional que me economizou em tempo e operação de toda a logística. Inclusive ele me ajudou a decidir sobre os passeios que eu deveria fazer e aqueles que não valem tanto a pena, considerando que ele conhece muito bem os locais que iríamos conhecer. Pelo pouco tempo de viagem nosso objetivo era aproveitar bem o tempo em cada destino.


Cuidado com as redes sociais: as redes sociais são excelente fonte de consulta, mas aquela máxima “expectativa x realidade” também é fato. Muitas pesquisas que fiz nas redes sociais não eram exatamente o que de fato acontece na prática. Sabe aquela foto linda da pessoa sozinha com o mar do caribe em segundo plano? Pois é: não é bem assim. Pelo que identifiquei e vivi, o ano inteiro as 3 cidades estão cheias de turistas: locais e estrangeiros. Tentar fazer aquela foto é ter muita paciência ou escolher horários bem alternativos. Tanto Cartagena quanto San Andrés são pontos de turismo para pessoas de Bogotá também, o que traz muito movimento em qualquer época. 
Plano de passeios com alternativas e flexibilidade : ajuda muito a potencializar o tempo, mas nada pode ser engessado. Em Bogotá tivemos a infelicidade de chegarmos no dia do “paro” geral e todos os pontos de visitação que se concentram no centro de Bogotá estavam fechados. Tínhamos somente 1 dia na capital. O que nos ajudou foi termos as opções fora do centro de Bogotá e não perdemos nosso dia de turismo.
“Free walk tour” : fez toda a diferença para nós que adoramos história e ainda tivemos boas dicas de restaurantes e baladas no final do tour. É um movimento mundial que valoriza o guia local e mostra a cidade enquanto caminhamos, além de ser uma opção de contribuição livre no final do tour. 
Então, deu para captar os bons  motivos de ir à Colômbia? Resumindo:
1. Pessoas alegres, simpáticas e acolhedoras
2. Gabriel Garcia Marquez e sua paixão por Cartagena
3. Gastronomia
4. Diversidade de turismo: cultura, história, cidade e praia. Tudo num roteiro só. 
5. Musicalidade e muita salsa: não tem como ficar parado!
6. Mobilidade e segurança
7. Excelente relação custo x benefício (exceto na malha aérea)
8. Diversão certa para todos, independentemente da idade e perfil.



E mais uma dica: 2020 vai ser o ano do turismo na Colômbia, acredite! Então, a hora de se programar é agora.

Esse foi meu planejamento e meu guia de escolha sobre a Colômbia. Agora, sobre a experiência em cada cidade:  Bogotá, Cartagena e San Andrés...tá no forno...e bem temperado.

Vou contar nos próximos posts. Fique de olho!

domingo, 19 de junho de 2016

domingo, junho 19, 2016

PERU e MACHU PICCHU – Quanto mais longe de casa, mais se aprende!

Posterguei 3 anos o desejo de conhecer o Peru. Foram 9 dias intensos. Voltei de lá com a certeza que esse é um daqueles destinos que merece ser visitado pelo menos 1 vez na vida, mas esse não é um destino recomendado para quem nunca viajou para fora do país. Vi muitos jovens mochileiros em grupos ou sozinhos. Vi muitas pessoas experientes desbravando. É muito desapego e adequado para pessoas que querem algo diferente e exótico. Não é uma viagem que descansa, pelo contrário, o retorno para casa é transbordando de vontade de mudanças a serem feitas na vida pessoal. Extasiada, confortada, surpresa e cansada. Não há como fazer essa viagem e voltar do mesmo jeito. 
O Peru é para caminhar, experimentar, ouvir e sentir a energia que emana de Cusco e toda a região que foi um Império à frente do seu tempo e que vem sendo redescoberto pelo mundo. Ouvi de vários nativos que foi importante a conquista espanhola, mesmo na tentativa de destruição do Império Inca (o que não ocorreu de fato), porque no futuro, seriam redescobertos e valorizados.
O que me faria voltar várias vezes foi descobrir um povo que acolhe com sua bondade e felicidade, respeitando e valorizando as forças da natureza e reverenciando a mãe terra, Pachamama: - que lhes dá o sustento de vida. O sorriso estampa em todos os lugares, a leveza de alma é o que melhor o define. Um povo tão esperançoso e cheio de gratidão pelo que a terra proporciona de sustento, pelas forças da natureza e pela sua história.
Como falar do Peru sem falar da história dos Incas, dos espanhóis, da religião politeísta naturalista, arquitetura, matemática...enfim...decidi escrever o que vi, pois a história está mais do que contada e recontada. Compartilho não meus conhecimentos, mas meus olhos, com a certeza da generosidade que vi lá.
O Peru é famoso pelo Império Inca (filhos do sol), considerado o maior Estado da América pré-colombiana, resultado da conquista de várias civilizações andinas no séc. XIII. Apesar da sua hegemonia e inovações, foi um Império de vida curta (cerca de 100 anos), onde se estendia pelo Equador, Bolívia, Argentina, Chile e Colômbia. A administração central era em Cusco (em quíchua, "Umbigo do Mundo"). Nesses 100 anos, atribui-se aos Incas grande desenvolvimento e descobertas na irrigação, agricultura, arquitetura e construção, astronomia e matemática. Tudo era compartilhado e servido à população que produzia e trabalhava para aprimorar cada vez mais esse modelo social. Um exemplo de socialismo ideal, à luz da religião politeísta, identificada pela dualidade: bem e mal, claro e escuro, luz e sombra...ou seja...a busca do equilíbrio entre as forças criadoras.
Ouvi de alguns nativos que a conquista espanhola não foi resistida pelos Incas num primeiro momento. Pizarro já tinha tido contato com os Incas em 1526. Eles contam que os Incas esperavam o grande Deus (trovão) chegar por mar. Quando Pizarro e conquistadores chegaram com seus canhões, supõe-se que teriam sido recebidos como deuses, porém, ao longo da conquista espanhola, o Império Inca percebeu que estava sendo dizimado e explorado e a guerra era inevitável. Não havia ouro e prata que satisfizesse a Espanha. Em 1532 Pizarro derrotou e capturou o ultimo imperador inca Atahualpa. Exigiu ouro e prata em troca da libertação e, mesmo tendo recebido a recompensa, Atahualpa foi executado e Pizarro conquistou definitivamente o império, estabelecendo o domínio Espanhol e a igreja católica como religião oficial. 
A Lima que conheci é lindamente cinza

Encantadora e cinza. O Centro Histórico é onde se concentra o maior acervo da colonização espanhola. O ponto de partida é a Praça das Armas e a Catedral, cuja inspiração é na Catedral de Sevilha, rapidamente percebida pelos azulejos mouros. O Convento de Santo Domingo e Santa Rosa é onde estão expostos pertences e história de mártires, como por exemplo, São Martim de Porres, um religioso, enfermeiro e santo peruano que se dedicou a caridade. E ali pertinho, a Igreja de São Francisco. A história da conquista espanhola se repete: a catedral, o governo e a praça. Miraflores é muito agradável, ideal para hospedagem porque fica longe do caos do centro histórico e do transito (que me assustou muito), pois é caótico mesmo no sábado, não há como fugir. Apesar dos ares de grande cidade super populosa, não me senti insegura e tão pouco vi violência urbana. 
Miraflores é um bairro calmo e cosmopolita. Além do shopping Larcomar, que fica à beira do pacífico com restaurantes maravilhosos, há uma ciclovia onde, caminhando, chega-se ao Parque do Amor com as esculturas e monumentos que muito lembram Gaudi. A Calle Larco merece uma manhã inteira de exploração e compras no centro de artesanato. Lima me conquistou pela gastronomia: Ceviche e Pisco, que só de lembrar, a boca saliva. Uma sugestão de quem vai pela 1ª. vez: O tour com o ônibus aberto é muito bom e vai até Barranco (bairro boêmio e intelectual). Contrate um transfer/receptivo do aeroporto ao hotel e hotel para aeroporto (não é luxo, é necessário) para não sofrer o stress dos taxis (o valor tem que ser negociado na hora).



Cusco 3400 metros de altitude e é azul!
A aterrisagem em Cusco é lindíssima e dá medo. Senti a diferença de altitude imediatamente. Muito sono, cansaço e recomendo no 1º. dia comer algo leve para se acostumar. Os hotéis carinhosamente recebem o turista com chá de coca e muita simpatia. O centro de Cusco é um museu inca e espanhol a céu aberto. Percebe-se a influência da igreja Católica por onde os espanhóis passaram, mas não conseguiram descaracterizar a cultura Inca. O mercado de São Pedro é uma atração imperdível.

Lá a gente tem contato imediato com a gastronomia e cultura local: Cuy (porco da índia que é assado num espeto) é bem popular, o Choclo com queso tem que ser provado e a inka cola faz muito sucesso. E o ceviche continua no topo da lista.
Cusco tinha o desenho de um puma deitado que representava ser o guardião das coisas terrenas. E a cada ponto desse puma era uma local sagrado, onde hoje são sítios arqueológicos. Esses pontos são muito parecidos com os pontos dos chacras. Koricancha (genitais do puma) foi onde os espanhóis construíram o convento dominicano Santo Domingo. Era todo fechado de ouro que obviamente foi saqueado. Hoje é um desses sítios arqueológicos. Lá se rendia homenagem ao maior deus inca o "Inti" (o sol). 
Sacsayhuamán (cabeça do puma) é outro sítio onde se realiza a festa de 24 de junho, no solstício de inverno, o ritual de culto ao deus sol ou Inti.
Com a conquista espanhola, a arquitetura ficou mesclada com a arquitetura inca, onde várias sobreposições são percebidas. Houve um terremoto em 1950 que destruiu muitas coisas, mas os nativos contam que tudo que era de construção Inca se manteve de pé e o que era espanhola ruiu. Isso se vê claramente na construção de padres dominicanos sobre o Templo do Sol: a parte Inca ficou e a dos padres se foi. 


As cores do Peru são maravilhosas e é impressionante conhecer a produção de lãs e a extração de cores de sementes e pedras.








quarta-feira, 14 de maio de 2014

quarta-feira, maio 14, 2014

EL CALAFATE - ARGENTINA - Entre Amigos no Fim do Mundo – Parte 2




A cidade está na Província de Santa Cruz e faz fronteira com o Chile, é extremamente agradável e me pareceu uma versão mais intensa de Campos e Jordão. Tudo gira em torno dos passeios ao Parque Nacional Los Glaciares. É nesse parque que fica o danado do Perito Moreno, a maior geleira em extensão horizontal que está em constante movimentação e diminuição, devido ao aquecimento global.  Tudo em El Calafate gira em torno do gelo. 
Daí, fomos conhecer o Bar gelado. Só precisa ir uma vez na vida. É impossível ficar mais de meia hora lá dentro e a pegadinha é que na compra dos ingressos somos informados que a bebida é livre. A questão é: não dá para beber mais do que 2 doses de qualquer coisa, porque não conseguimos ficar muito tempo lá dentro. Entendeu? O que tem de mais de bonito nesse passeio? A vista do pôr-do-sol num horizonte de tirar o fôlego. Então, a melhor coisa do bar gelado é ficar do lado de fora! 



Os restaurantes foram vários. Recomendo chegar cedo, pois as filas são um incômodo. Para comer cordeiro (prato típico do local), La Lechuza o Casimiro Biguá, o Mi Viejo (para mim, foi o melhor de todos) e a La Tablita.  Para deixar o tempo passar numa tarde fria, parada obrigatória no San Pedro, bar e restô. Mas o que fizemos de mais intelectual foi a tarde no Borges e Alvares  – vinho e tio pepe, um bar livraria onde passamos uma tarde inteira falando de história, depois das comprinhas na feirinha de artesanato.
 A história de Francisco Pascacio Moreno (Perito Moreno), por Edivan Ferreira
Perito Moreno nasceu em 31 de maio de 1852, Buenos Aires e morreu em 22 de novembro de 1919, Buenos Aires. Cientista, naturalista e explorador argentino, autodidata e amante da paleontologia e arqueologia, explorador da região do Rio Negro, aos 23 anos de idade é o primeiro homem branco que chega ao Lago Nahuel Huapi desde o Oceano Atlântico. Atravessou a patagônia onde manteve contato direto com os indígenas, estudando o seu passado e origens. Em 15 de fevereiro de 1877 chega até o Lago Argentino, onde atualmente se encontra a cidade de El Calafate, e descobre um grande Glaciar que posteriormente foi batizado em sua homenagem (“Perito Moreno”). Foi nomeado chefe da comissão exploradora dos territórios do sul Argentino para estudar a possibilidade de estabelecer colônias na região entre o rio Negro e o rio Deseado. Ocupou o cargo de perito Argentino na demarcação das fronteiras entre Chile e Argentina, com laudo arbitral do governo Britânico. Preparou sua obra “Fronteira Argentino-Chilena”, viajou à Londres para facilitar o laudo arbitral da Rainha Vitória e apresentar uma exposição sobre o conflito. Por seus trabalhos de perito, a Royal Geographic Society lhe conferiu a medalha do Rei Jorge IV. Em 1902 recebeu 25 léguas quadradas de terras na Patagônia por seus serviços prestados à nação, doando em seguida uma parte destas terras para criar o Parque Nacional Nahuel Huapi, primeiro parque Nacional da Argentina. 
Seu nome é recordado de várias formas na Argentina: Glaciar Perito Moreno, localidade de Perito Moreno e o Parque Nacional Perito Moreno. Na maioria das cidades da Patagônia existe uma rua que leva o seu nome. Foi enterrado no cemitério de La Recoleta em Buenos Aires e em 1944 foi transferido para ilha de Centinela no lago Nahuel Huapi, junto com a sua esposa, onde repousam dentro do parque nacional que fundou. Por determinação da Prefeitura Naval Argentina, cada embarcação que passa frente à ilha deve soar três vezes a sirene para render- lhe homenagens.

quarta-feira, maio 14, 2014

USHUAIA - ARGENTINA - Entre Amigos no Fim do Mundo – Parte 1


Chegar ao Fim do Mundo é especial. Decidir ir ao Fim do Mundo é ousado. Eu, particularmente, precisei de um motivo forte para encarar essa aventura e tenho que confessar: foi uma das experiências mais intensas que tive. Quanta diferença entre o calor da África e o frio da Patagônia...ir aos extremos em alguns momentos da vida é também uma necessidade (em qualquer aspecto). Então, fui à Patagônia! E que lugar exuberante situado no final de tudo, no extremo da América do Sul, parte do Chile e da Argentina. Sabe aquela língua quase lambendo a Antártica? É lá mesmo!  Aqui o ser humano tem certeza da sua insignificância diante de uma imensidão quase inóspita (pelo menos aparentemente). A posição ideal é ajoelhar, pois é como se estivéssemos entrando na casa de Deus, pela porta da frente! Para entender essa região é importante ter uma noção sobre a história de povos indígenas que a habitavam e porque atraía tanta gente numa época tão improvável. As questões vinculadas à Patagônia e sua exploração/colonização refletiram no sul do nosso país, cuja história é tão pouco conhecida. Quase não lembramos que somos parte da América Latina, pois nossa história é bem diferente dos nossos vizinhos que tiveram uma colonização exterminadora. E então conhecemos o Edivan, um gaúcho corredor, amante de história e que, para nossa agradável surpresa, deu-nos uma contextualização impressionante sobre as incursões Argentinas e Europeias, cujas conversas giravam em torno das nossas diferenças e sempre regada a um bom vinho que nos levava a uma viagem no tempo e na geografia...e ele escreveu para nós....
Os conflitos indígenas por Edivan Ferreira
“Ano de 1874 quando Nicolás Avellaneda assume a presidência da
Argentina e começa uma gestão na busca do desenvolvimento econômico a partir de incursões para a tomada de terras. Essa época ficou marcada pelas “Campanhas do
Deserto” do Ministro da Guerra, Julio Argentino Roca, nas quais as tropas avançaram sobre os indígenas que viviam no sul do país, liberando milhões de hectares para a instalação de estâncias. Seu governo deu apoio total à imigração europeia (principalmente a italiana) e investiu na educação primária, proporcionando ao país ter a população com mais anos de educação formal da América Latina. Depois, assume Julio Argentino Roca (ex-Ministro da Guerra), cujo primeiro governo durou de 1880-1886 e com 37 anos de idade foi o mais jovem presidente Argentino em toda a sua história. A prosperidade da nação continuou durante o seu mandato. Conduziu a política da purificação étnica,  vencendo a resistência dos povos Mapuches e causando a morte de 20.000 índios. A população indígena quase desaparece. Nesses governos, onde a Argentina entra num longo período de abundância e prosperidade econômica, fica marcado pelos conflitos entre os povos indígenas que habitavam as regiões dos Pampas e da Patagônia. Julio Argentino Roca, que começa a exterminação ainda no cargo de Ministro da Guerra com a Campanha do Deserto, intensifica os ataques com sua estratégia era “dominar, expulsar ou exterminar” os indígenas. Conflito esse que foi até o final do seu governo. De fato, os europeus não descobriram a América, eles a invadiram. Nestas terras havia populações indígenas desde a Terra do Fogo até o Alaska e foram dominados, dizimados e expulsos das suas terras, utilizando-se da ideia de catequização, perdendo a identidade e os poucos que ainda sobrevivem estão reclusos em reservas ou na periferia das cidades.”
Devidamente contextualizada a história....vamos a Ushuaia, capital da Patagônia Argentina e da Província da Terra do Fogo, composta pela Antártica e Ilhas do Atlântico Sul (onde estão as Malvinas).  A primeira sensação ao chegar é de cortar n’alma. A paisagem é uma obra de arte difícil de acreditar na sua veracidade. A cordilheira emoldura o horizonte, cuja neve nos picos das montanhas reflete e ressalta com muito mais intensidade o azul do céu e o verde levemente avermelhado pela chegada do outono.  Além desse contraste que fere os olhos, a pele sente o vento como uma navalha a golpes rápidos no rosto. Foi assim que a percebi: misto de dor e prazer.  Ultima cidade antes de chegar à Antártica, conhecida como Fim do Mundo ou Terra do Fogo, mas que para mim parecia ser o começo de tudo e que o mundo é que estava de cabeça para baixo. O nome Ushuaia vem do indígena Yagan: ushu + aia (baía profunda) e há mais de 11 mil anos já tinha sido descoberta por nômades/índios (como os Onas e Yaganes) que, mesmo num clima quase insuportável, se vestiam minimamente, buscavam alimentos na água, famosos por suas canoas e fogueiras. Foi aí que descobri porque se chama Terra do Fogo: atribuído por Fernão de Magalhães quando explorava a região e se deparou com fogo sobre a costa do estreito (que hoje leva seu nome: estreito de Fernão de Magalhães) e que eram fogueiras...foi batizada como “Tierra del Fuego(1500). E quem nasce em Ushuaia é Fueguino.A cidade foi habitada de verdade (1869) por pastores anglicanos que vieram para catequizar os índios, mas, como foi tão bem descrito por Edivan, à medida que o homem branco tomava posse da região, os índios iam sendo dizimados ou pelas doenças trazidas pelos diversos povos europeus ou pela devastação das guerras e confrontos. Em 1930 quase toda a população indígena havia desaparecido.  Então veio a construção do famoso presídio no início do séc. XX que funcionou por quase 50 anos (1902 a 1947) e que, num paradoxo social, trouxe o desenvolvimento de infraestrutura e econômico para a cidade, ao mesmo tempo em que a população se mantinha temerosa com um volume de presos no local quase igual à quantidade de habitantes. Não tardou para ser fechado e transformado em um museu, parte do Museo del Fin del Mundo. Ushuaia é rica em tudo e tem um povo muito educado, receptivo e nacionalista que ainda mantém a memória viva sobre a questão das Malvinas como uma conquista necessária. Com toda essa miscigenação é bastante internacionalizada em sua cultura e hábitos. E por ser uma cidade muito jovem, suas raízes e sentimento de pertencimento ainda está se construindo na descoberta de sua história, o que me lembrou de Brasília e talvez o que me fez sentir quase em casa (se não fosse o clima, claro!).  
Onde ficar e o que fazer ?
O Hotel Costa Ushuaia é bem adequado para quem quer contato direto com a natureza. Fica a 10 minutos do centro da cidade (de carro) e de frente para a baía. É muito agradável percorrer as proximidades e se perder na imensidão do céu azul e do frio cortante.  O Museu do Fim do Mundo é uma parada providencial, dedicado aos povos indígenas, a natureza, a história local e aos naufrágios ocorridos nas proximidades da cidade. A cidade também oferece lugares muito agradáveis e de uma rica gastronomia. A tarde se perde e faz-se necessário perambular pela San Martin, experimentar a torta de maçã do Andino  ou experimentar uma das receitas de café e chocolate exóticas do Isla de Chocolat. Para passar o tempo admirando e conhecendo mais a história, El Almacén de Ramos Generales quase de frente para o Porto.
Comer é uma diversão garantida e a pedida certa é a centolla (um caranguejo típico da região) que tivemos o prazer de experimentar no El Gustino e no Vilaggio e para prestigiar a cozinha chilena, tem que ir no Chiko  ...tudo isso regado ao vinho do Fim do Mundo que já era parte desses pequenos prazeres.
Canal de Beagle



O Canal de Beagle é obrigatório. Não tem como ir a Ushuaia e não fazer esse passeio. Ele faz a fronteira entre o Chile e a Argentina e do porto saem os barcos que contornam as ilhas onde podemos ver e fotografar os lobos marinhos, pinguins, cormoranes e diversos pássaros. O nome faz referência ao navio britânico HMS Beagle que fez 2 missões até o extremo da América do Sul, sendo a 2ª dela com  Charles Darwin à bordo. Dura uma tarde larga e a paisagem é perturbadora. Sair para área externa da embarcação para fotografar é muito corajoso e deparei-me pensando com muita frequência como os índios conseguiam pescar, quase sem roupa naquelas canoas sem proteção? 

Visite Brasília

Andrea Pires

Com Salto&Asas é um lugar de verdade, onde compartilho as memórias das viagens que mudaram minha vida e que me transformam diariamente. Sonhar, Planejar e Realizar, o melhor caminho para ter o Mundo nas Mãos! comsaltoeasas@gmail.com

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