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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Eram os Deuses Astronautas? Serra da Capivara – PIAUÍ– PI

Quem imagina que no centro do país está acontecendo uma grande revolução na história do surgimento do homem nas américas?

Pois então, essa história já conhecida, porém pouco se divulga e se fala, apesar de ter sido notícia no New York Times há 30 anos!!!!

As descobertas vem mudando os rumos da pré-história e da chegada do homem nas américas e foi isso que descobri no coração do Brasil, linda terra - Piauí. 

Esse roteiro proporciona vivências únicas: pré-história, história e ecoturismo intenso. Uma infinidade de emoções num curto espaço de tempo. Por quê?

Conhecemos a pré-história com mais de 1000 sítios arqueológicos em estudos e escavações. Alguns  já comprovam a existência do homem há mais de 50 mil anos. As figuras rupestres estão por toda a parte, os estudos e escavações são intensos e as descobertas constantes.

Aprendemos sobre a história do sertanejo e a caatinga com toda sua riqueza. É o Brasil e sua diversidade, seu povo, sua sobrevivência no semiárido e a força do sertanejo. É fundamental para cada brasileiro conhecer sua história.

Desfrutamos do ecoturismo com suas trilhas e paisagens lindas e fortes. Foram 4 dias de quase 30km de caminhadas, subidas, descidas, escaladas e muitos caminhos que levam à pré-história e história, no sertão, no calor, com a companhia dos mandacarus que só observam, mas não servem de apoio e nem de sombra. Muita terra vermelha, muita pedra rolada (onde já foi mar). Muita pedra para subir e muita vista para contemplar.

É muito chão e muitos olhares. Pouco tempo, mas a dimensão de tempo na Serra da Capivara tem outra medida. Em 5 dias, parece que estive fora 1 mês no isolamento e nas descobertas. E tudo isso, no estado do Piauí, região da caatinga, ainda parte do Vale do São Francisco.

Esse roteiro tem que ter um bom planejamento de logística. Além do aéreo, o deslocamento até a base de hospedagem, as visitas nos sítios, alimentação precisam ser programadas.

Não é um local de fácil acesso e com disponibilidade para quem chega de surpresa, por isso que ter tudo já fechado antes da chegada, é fundamental. O receptivo que me acolheu foi a Selva Branca . Impecável. Recomendo e assino embaixo.

Como chegar?

A malha aérea pode ser por Petrolina ou Teresina, sendo que Petrolina é mais próxima da Serra da Capivara. De Petrolina para a para a Serra da Capivara são cerca de 500 km. O receptivo/transfer começa na cidade base de Petrolina, conforme estava previsto no pacote que contratei. Se for de carro, é fundamental ter um receptivo contratado (os sítios não são acessados sem guia) e ter hospedagem reservada, pois as opções são restritas.

Onde ficar?

Em São Raimundo Nonato é mais estruturado e tem mais opções, inclusive com hotéis, porém fica cerca de 37km para o Parque.  Essa distância, pode não ser vantajosa para as trilhas e as visitas aos sítios.  Já em Cel. José Dias é um ponto mais próximo e com algumas opções de pousadas e está 18km do Parque. No povoado do Sítio do Mocó a experiência de viver a rotina do local e a distância é bem menor do parque - 3km. Agora, para uma experiência sem precedentes, o Albergue Serrada Capivara é a melhor opção. Possui a proximidade do parque (localiza-se dentro do parque), a hospedagem tem quartos privativos com ar-condicionado. O atendimento é muito acolhedor. Além de ser dentro do Parque, possui restaurante com um delicioso café da manhã, almoço e jantar.  O Albergue/Pousada tem a Girleide como proprietária, além do restaurante  e da fábrica de cerâmica. E a história da Girleirde merece ser contada por ela mesma, mas já posso adiantar que ela é da mesma coragem e ousadia que  Niède Guidon. Na caatinga, mulheres à frente sacode a cultura local. E Girleide e Niède Guidon fizeram e fazem isso.

A fábrica de cerâmica foi criada pela Niède Guidon como escola, já pensando na sustentabilidade do povo da região. Hoje emprega um quantidade grande de nativos. O processo é todo artesanal, desde o preparo da argila até os desenho rupestres que os artesãos inscrevem à mão livre, sem molde, apenas com um catálogo de referência. A fábrica atende grandes lojas do circuito nacional como Tok Stok e Les Lis Blanc. Também vende para lojistas de todo Brasil e no varejo para quem visita a loja da fábrica, no mesmo local.

O dia na caatinga começa muito cedo e termina cedo também. Por volta das 20hs, todos se recolhem e por volta das 5hs, a natureza começa a despertar.





Voltando um pouco para sala de aula!

Não tem como falar desse roteiro sem falar daquilo que aprendemos na escola  com informações “quentes” e com mais emoção, claro!

A hipótese mais conhecida sobre a chegada de humanos à América seria através do Estreito de Bering cuja teoria defende que há cerca de 10 mil anos os homens vindos da Polinésia (na região da Oceania) chegaram na América do Sul pelo estreito de Bering. É aí que surge a persona-chave nesse questão da Serra da Capivara: Niède Guidon. Arqueóloga franco-brasileira que veio nos anos 70 para a região da Serra da Capivara e até hoje permanece, onde vive em São Raimundo Nonato.

A paixão e a seriedade de Niède Guidon pela arqueologia projetou suas descobertas para o cenário mundial, sendo respeitada e honrada pela defesa de sua hipótese sobre o povoamento das américas a partir das descobertas na Serra da Capivara e pela sua luta na preservação do Parque Nacional da Serra da Capivara. Niède Guidon defende a teoria de que os primeiros povoadores vieram pelo Atlântico, da África,  comprovada nas descobertas dos sítios arqueológicos da Serra da Capivara cujos artefatos datam de cerca de até 58 000 anos AP (Antes do presente -AP é uma marcação de tempo utilizada na arqueologia, paleontologia e geologia, que tem como base de referência o ano de 1950 D.C ).  Essa teoria está documentada pelos resultados pesquisa científica em 2006 da Universidade de Paris e Universidade Católica de Goiás sobre objetos encontrados em 1978 no Boqueirão da Pedra Furada onde está constatado que foram realmente feitos por seres humanos entre 33.000 a 58.000 anos, o que muda as hipóteses anteriores.

Sobre os sítios arqueológicos

São mais de 1300 sítios arqueológicos descobertos e mais de 200 catalogados e abertos para visitação. Ainda há muita coisa para documentar e escavar, mas o que se vê no local é surpreendente. O roteiro pode ser ajustado pelo perfil do visitante com trilhas mais longas, mais intensas, mais fáceis e até mesmo acessar de carro os sítios para quem não puder ou quiser seguir pelas trilhas. Existe muito cuidado do receptivo em entender o perfil do visitante para adequar à intensidade e dificuldade do passeio. Em 4 dias de visitação, não vi nem 10% do que o Parque oferece e foi intenso, tanto pela parte física quanto pela parte da história. A caminhada sempre leva a uma vista panorâmica. Muito calor. A paisagem é forte com o contraste das pedras, dos mandacarus, facheiros, xique-xique, palmas, coroa de frade, enfim,  a certeza de que estamos na caatinga. As pinturas rupestres vão aparecendo gradativamente em cada sítio.

1o dia

Trilha do Hombu -  Circuito Jurubeba, visita à Toca da Ema, Sitio do Brás 1, Toca dos Macacos, Toca da Roça, Toca do Mangueiro e Sitio do Bras 2.





Circuito Sitio do Meio, Toca Boqueirão Pedro Rodrigues, Ponta da Serra e Toca do Sítio do Meio.



O dia acaba no sítio de maior concentração de pinturas rupestres e vestígios da pré-história: Boqueirão Pedra Furada. As pinturas de cor vermelha na sua maioria, podem ser de mais de 23.000 anos e os vestígios de ocupação do homem pode ser de até 60.000 anos.




2º. Dia a trilha foi mais intensa.

Travessia da Pedra Furada para o Baixão das Mulheres.










3ª Dia

Circuito Serra Branca, Baixão das Andorinhas para ver a revoada e conhecer o recente sítio descoberto em 2010 com outras figuras rupestres.





4º. Dia, caminhada mais leve

Desfiladeiro da Capivara, onde tudo começou para a Niède Guidon. Toca do Pajau,  Toca do Barro e Toca do Paraguai (1o. Sitio descoberto),Toca do Martiliano, Toca da pedra Caída, Toca da boca do Sapo, Toca da Invenção





Enfim....

Foram 4 dias intensos. Conhecer o passado nos dá entendimento do presente. Por algum motivo esses povos registraram suas rotinas, suas danças, suas crenças, suas dores, suas festas, registraram suas vidas.

E cá estamos nós tentando desvendar o óbvio da existência humana e nos admirando com cada descoberta. Mas por quê? Não seria óbvio ter existido vida passada?

Daqui a 50 mil anos quem sabe nossos registros serão descobertos e estudados. E os povos do futuro se assustarão com a descoberta da nossa existência? Pensando assim, que tudo fica para ser descoberto, qual legado queremos deixar para o futuro?







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Andrea Pires

Com Salto&Asas é um lugar de verdade, onde compartilho as memórias das viagens que mudaram minha vida e que me transformam diariamente. Sonhar, Planejar e Realizar, o melhor caminho para ter o Mundo nas Mãos! comsaltoeasas@gmail.com

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