sexta-feira, 1 de maio de 2015

CAMBARÁ DO SUL/RS - O Vento fala....

Amigos!
Como tem sido surpreendente desbravar o sul do nosso país.
Cambará do Sul soa como um romance/ficção de Érico Veríssimo que tão bem descreveu essa terra, seus encantos e magia. E parece mesmo saído de um livro essa região que surgiu quando os tropeiros a utilizam como pouso/descanso. O local, cheio de árvores de Cambará, com o tempo passou a se chamar Cambará e tornou-se uma cidade linda e típica da história do sul. Cambará (que fica ao Sul dos Aparados da Serra) é tão pequena e aconchegante (em torno de 6.000 habitantes) que a vontade é ficar para sempre. Protegida pelo padroeiro São José, é na praça “São José” (em frente à Igreja Matriz) que está a árvore Lunar. Uma Sequoia com uma história peculiar: essa árvore foi parte das mudas de Sequoias geradas em solo lunar a partir das sementes levadas por um dos astronautas na missão espacial da Apolo XIV, quando de sua viagem à lua, retornando à terra por volta de 1971. A Sequoia pode viver até 1000 anos e na época, o Prefeito Pedro Teixeira Constantino (in memória) conseguiu essa muda para a cidade e para a posteridade. Toda a cidade exala essa paixão pela preservação do meio-ambiente e ecologia, pregando um modelo de vida mais simples e mais humano.
A riqueza está na terra. A consciência das pessoas que vivem lá é muito além da nossa realidade nos grandes centros. E eles sabem que tem um “tesouro” nas mãos que somente agora está sendo descoberto pelas pessoas do mundo inteiro.
Além da calmaria típica e adorável, a cidade oferece excelentes opções gastronômicas. Para comer um delicioso galeto tem que ir ao Casarão com um vasto buffet no sistema de rodízio e um detalhe: a parte da salada é toda produzida pelo restaurante que tem uma horta no quintal!!!! À noite, a lareira, a sopa e o vinho do Zuppa são concorridíssimos. Melhor reservar. Um local descolado é A Taberna. A panqueca é de comer ajoelhado e o local é estiloso! E a delícia do clima??? Cambará do Sul é a 2ª. Cidade mais fria (só perde para São Joaquim em Santa Catarina) do Brasil. Conhecer tudo isso e ainda lidar com vento... ah!!!!...esse famoso vento de Cambará...
A história começa com uma “tal de” PANGEA!
Um único continente existiu há 200 milhões de anos durante a era Paleozoica formando uma coisa só, daí o nome: pan do grego = todo, inteiro e exprime a noção de totalidade, universalidade, formando um único bloco de terra (gea) ou Geia ou Gaia (mitologia) ou Ge como a Titã grega que personificava a terra com todos os seus elementos – PANGEA! Palavra que mais ouvi em Cambará... Depois de milhões de anos a Pangeia se separa em dois continentes que se deslocam em sentidos opostos. A parte correspondente à Antártida, América do Sul, África, Austrália e Índia, chama-se Gondwana e a outra parte era América do Norte, Europa, Ásia e o Ártico e se chama Laurásia.
Em algum momento Gondwana começou a "rachar" separando África e América Latina e os processos erosivos formaram os cânions que hoje conhecemos como os Aparados da Serra (Rio Grande do Sul e divisa com Santa Catarina). São mais de 36 cânions surgidos, contornados por partes da Mata Atlântica e outras pelos pinheiros de Araucárias. Em Cambará do Sul estão os dois Parques Nacionais: O Parque “Aparado da Serra” onde fica o famoso Canion Itaimbezinho e o Parque da Serra Geral onde fica o espetacular Canion Fortaleza.  Os Aparados da Serra são encostas que parecem ter sido cortadas à faca.

As ranhuras lembram muito rachaduras, mas de uma precisão impressionante. Itaimbezinho é um desfiladeiro onde percorremos 2 trilhas: a Trilha do Vértice (uns 2 km) e a Trilha do Cotovelo (uns 6 km), com a belíssima visão das duas cachoeiras: “Andorinhas” e “Véu de Noiva”. A trilha é fácil, agradável e impressiona os paredões do canion com aproximadamente 700m. Já em direção ao Parque Nacional da Serra Geral (uns 20 km de Cambará) encontramos o famoso e ensurdecedor cânion da Fortaleza.
São 7 km de extensão e paredões que chegam a 980m de altitude. A trilha exige um pouco mais de preparo. Subidas e descidas, travessia de rio e, ao chegar, a vista vale demais o esforço. Depois de muita contemplação e uma parada para presenciar o canion e o vento se engalfinhando como se estivessem brigando, hora de seguir a famosa trilha (bem mais complexa apesar de serem poucos 3 km) para a Pedra do Segredo que consiste numa pedra com a base bem afunilada apoiada numa outra pedra e que nunca se moveu. Parece que ela está literalmente equilibrada na outra pedra. Nem chuva, nem vento e nem gente conseguiu movê-la.
Chegar nesse local é mais difícil que chegar ao canion. E no caminho, alguém mais curioso pergunta ao guia: e qual o segredo da pedra do segredo? Hahaha... eis que o guia me sai com essa : - O segredo? É o equilíbrio....Parei...parei...parei... o guia me resume anos de terapia: o segredo é o equilíbrio!

E foi pensando na musica de Gilberto Gil “se eu quiser falar com Deus” que eu defino meu desbravamento “sozinha” numa região tão protegida, e quiçá... seja o Quintal de Deus...será que não foi aqui que Ele descansou no 7º. Dia?  Conhecer a força da natureza e os Cânions de Cambará do Sul foi exatamente como diz a musica:
““... E se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Eu tenho que subir aos céus
Sem cordas prá segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar!” 

 

Coisas especiais de Cambará do Sul
Além de toda essa riqueza natural, Cambará tem anjos que estão aqui e ali. Eis que conheci o “seu José”... um italiano muito brasileiro que se emociona cada vez que começa a falar de suas crenças na ecologia, na terra e mãe natureza. Homem de fala mansa, sorriso acolhedor, olhar detalhista e um grande construtor e idealizador do projeto Quintais de Cambará.
Ao todo são 7 projetos (Trilha Vale das Bromélias e Sapecada do Pinhão – EcoCambará, Show Folclórico com Churrasco no Rancho Cabotiá (churrasco na vala), Tiro de Laço e Tradições Gaúchas, Fazenda Cascatas dos Venâncios (mini Foz do Iguaçu), Contação de Causos Gaúchos e Culinária Gaúcha Tradicional, Artesanato Kantu Kente (lã natural, roca e tear) e Sítio Querência Macanuda.

O Cambará EcoHotel e a Trilha das Bromélias é um desses projetos que recebe, acolhe e ensina pela paixão do “seu José”! Ele é o guardião dessa riqueza e logo no primeiro encontro nos conduz a uma trilha (dentro do perímetro do hotel) proporcionando uma aula de geologia, biologia, história, cultura, ecoturismo e por aí vai... a vontade é nunca mais largar o “seu José”. O Cambará EcoHotel é o primeiro da região planejado no conceito de sustentabilidade, 100% não fumante, captação e água de chuva, aquecimento solar, área de preservação ambiental, separação de lixo seco e orgânico, cobertores feitos com fibras de garrafas pet, enfim...tudo é possível nesse hotel.
Na região do hotel tem mata particular de araucárias e um lago delicioso para contemplação e relaxamento. Uma sala ecumênica no alto do monte permite uma interação maior com nossas crenças. “Seu José” nos leva a um mundo sonhado, idealizado e distante, mas que em Cambará já é realidade. No final da caminhada ele nos agracia com uma sapecada de pinhão, degustação de grappa e cachaça. O outro projeto dos Quintais que conheci é o Artesanato Kanto Kente que surgiu a partir dos costumes das famílias de tecerem suas próprias vestimentas em lã de ovelha, por causa das baixas temperaturas dos invernos. É um abraço se vestir com essa lã e prestigiar as senhoras que a produzem. Impossível sair de lá sem alguma coisa “quentinha” e não lembrar da série “A Casa das 7 Mulheres” (que foi feito em Cambará). E, para fechar com chave de outro, “Sabores daQuerência”  que sempre de bom humor recepciona cada “passante” para falar de suas frutas exóticas cultivadas de forma orgânica, sem produtos químicos ou agrotóxicos. Framboesas, amoras, mirtilos, phisalis, tudo produzido no local. 

 A degustação das geleias e antepastos é um tempo de esquecer. Sem pressa. Saímos de lá carregados de geleias e o melhor é que os produtos podem ser comprados por internet. Eles têm clientes no mundo todo! Bom... só deu tempo de conhecer 3 projetos....ainda faltaram 4  projetos que me esperam em Cambará!
E como chegar nesse paraíso? A melhor forma é de carro mesmo e a estrada é boa. Eu me aventurei ir de ônibus, saindo de Porto Alegre, mas como a cidade ainda não tem muito contingente de pessoas indo para lá, os horários são bem complicados e arriscados. A empresa CITRAL tem alguma logística. Claro que por ser um paraíso, não pode ser tão fácil de chegar né? Mas a peregrinação vale a pena!
E a agência/receptivo “Guia Aparados da Serratem um carinho e atenção bem bacana com o turista, sempre dando detalhes e com muito cuidado com os turistas. Para quem quer um pouco mais de facilidade, essa agência oferece pacotes completos (transfer e passeios), saindo do aeroporto ou de Porto Alegre.
É isso povo! Este ano estive no paraíso de Pipa (RN) que (com seu calor e natureza) me fez PARAR e agora fui ao extremo sul (RS), cujo frio e a vento, me fizeram SEGUIR ...olha...tem sido uma aventura ir aos extremos, mas como bem disse o “mago” guia de Cambará: o segredo é o equilíbrio! E para chegar lá...tem que ir nos extremos!

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Andrea Pires

Blog Com Salto&Asas, um lugar onde compartilho memórias das viagens que mudaram minha vida, mas também inspiro mulheres que queiram experimentar a vida e sua própria companhia! Planejar, Sonhar e Realizar. Assim é que me sinto com o Mundo nas Mãos! Para contato direto comsaltoeasas@gmail.com

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