sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

PIPA – RN – parar para recomeçar.

Depois de um 2014 intenso e cheio de mudanças muito bem-vindas, me deparei com um dilema do que fazer para começar 2015 com mais calma. Muitos projetos de viagens, mas meu corpo e mente pediam parar e reduzir a velocidade do dia-a-dia e rever essa intensidade que tanto me rodeia.




Pipa foi o caminho bem despretensioso. Queria muito um lugar calmo, desconectado da correria e com mais simplicidade. E que surpresa.

A escolha do local teve um fundamento: eu e uma amiga-irmã Beth, amizade de mais de 30 anos, tínhamos nos prometido uma viagem juntas há muito tempo atrás.













Seguimos para Pipa!

Localizada cerca de 90 km de Natal/RN, pertence ao município de Tibau do Sul, um paraíso perdido com uma riqueza de falésias, manguezais, mata atlântica, dunas e rios. Tibau significa entre duas águas: Lagoa Guaraíras e o Oceano Atlântico. Sugestivo, considerando que sou fã incondicional de Paco de Lucia que compôs “entre dos aguas” em homenagem à sua cidade na Espanha. Pipa fica há 7 km de Tibau do Sul e foi uma antiga aldeia de pescadores e reduto dos surfistas.
Coincidência mística ou não, o padroeiro de Pipa é São Sebastião, Orixá Oxóssi na Umbanda/Candomblé, que representa o orixá da caça, florestas, dos animais, da contemplação, amante das artes e das coisas belas. Oxóssi é avontade de cantar, de escrever, de pintar, de esculpir, de dançar, de plantar,de colher, de caçar, de viver com dinamismo e otimismo. Curiosamente também é a comodidade, a vontade de admirar, de contemplar. Oxóssi é um pouco de preguiça,a vontade de nada fazer, senão pensar e, quem sabe, criar . Chegar lá já é um caminho de desligamento. Tudo muito rustico e a natureza transborda pela estrada.  A distancia e o acesso contribuiu muito para essa calmaria e contemplação esperadas. Em Pipa há de se ter muita calma e se deliciar com as manifestações artísticas encontradas ao longo do caminho. A Pousada escolhida - Magia da Terra - foi uma pesquisa intensa no booking. Assim que chegamos, uma constatação: Pipa está quase que totalmente ocupada pelos argentinos que buscam exatamente o que eu fui procurar: natureza e descanso. Eu diria que Pipa está sendo recolonizada pelos “hermanos” que já são trabalhadores locais e turistas. Muitos chegam para passar férias e ficam morando “um tempo”.  A Pousada é bem localizada, mas não recomendo ir de carro. O acesso é muito complicado. A Rua dos Bem-te-vis é uma ruela acessada pela principal Baía dos Golfinhos, onde se concentra todo o burburinho de Pipa. São chalés incrustados num jardim que dão muita privacidade e ar-condicionado, mas sem nenhum luxo, entretanto, ar-condicionado não é luxo em Pipa porque o calor é surreal . O café da manhã é muito simples e adequado para quem vai passar o dia inteiro nas praias. As pessoas da pousada (maior parte argentinos) muito amáveis e sempre disponíveis a ajudar desbravar Pipa.


As praias são mais do que se espera! As falésias contornando toda a extensão dificultam a invasão de barracas e ônibus de turismo, mas ficam centralizados no ponto de acesso : Praia do Centro. Esse é um ponto excelente de parada para comer e esperar o sol baixar antes de seguir para a vila ou pousada, depois de longas caminhadas ou passeios de barco. A partir da praia do centro pode-se seguir caminhando na direção da Baía dos Golfinhos e Praia do Madeiro ou no lado oposto, a Praia do Amor. É nessa direção que avistamos o Chapadão, onde tem a pedra PIPA que ficou assim conhecida porque as embarcações portuguesas e holandesas chegavam às proximidades e identificavam uma pedra que aparenta uma PIPA (ou um BARRIL de armazenamento de bebidas), assim eles sabiam onde estavam chegando. Nessa questão geográfica, muito atenção: Há de se ter em mãos a tábua das marés para seguir caminhando, pois se a maré tiver alta, há possibilidade de ficar ilhado. Muito engraçado para nós que queríamos conhecer toda a imensidão de praia que avistamos num único dia. Então eu desejei desacelerar e fiquei "de cara" com essa dádiva que eu não sabia como vivenciar. Como assim? Esperar maré baixar? Esperar?

E então percebemos o quanto estamos contaminados com velocidade e rotinas da cidade.

Sempre controlando horários e fazendo mil coisas planejadas, correndo contra o tempo e em Pipa estava com tempo de sobra e não tinha nada o que fazer, além de contemplar e esperar....nos 2 primeiros dias eu e Beth levamos um susto: às 11 da manhã já tínhamos nos fartado de café da manhã, corridinha básica, solzinho saudável, agua de coco e? Para que tanta pressa? O tempo nos castigava. Mas, considerando que São Sebastião/Oxóssi toma conta do lugar e das pessoas que lá estão, só restava me curvar a natureza e deixar a tábua das marés trabalhar e controlar minha ansiedade de fazer muita coisa ao mesmo tempo. E vieram as reflexões naturais né? Dá para viver com menos velocidade e mais contemplação? E olha que a natureza não negocia. Tem que esperar.

A Baía dos Golfinhos tivemos 2 perspectivas: fomos caminhando e desfrutamos da imensidão das falésias e dos poucos caminhantes que encontrávamos (na maré baixa, claro). Um local muito peculiar para banhos demorados e meditação. E também fizemos o passeio de barco para ver o golfinhos. Um passeio que recomendo pela graça dos bichinhos pulando daqui e lá. O passeio é de cerca de 1 hora e com parada para banhos.
A Praia do Amor fizemos a pé e descobrimos que é o point dos surfistas e do pessoal mais alternativo pois o acesso requer muito cuidado na descida pela falésia. Tem uma estrutura de guarda-sol que permite ficar o dia inteiro. E porque se chama Praia do Amor? Porque as ondas quando se quebram, formam um coração...

Uma opção fantástica é o passeio de Jipe que dura o dia inteiro. Começa com a parada no Chapadão. Um lugar de onde se tem a visão do todo e da pedra que parece uma Pipa. Nunca fui à marte, mas me pareceu assim: pedras enormes avermelhadas, grandes chatôs que desembocam no mar.
Do Chapadão seguimos para Sibaúna, região do antigo quilombo de onde cruzamos de balsa a Barra do Cunhaú para uma praia aconchegante e de descanso. Ali tem que preguiçar mesmo. E preguiçar cansa né gente? O guia segue para um restaurante típico Camarão na Fazenda que oferece um peixe assado maravilhoso. É nessa hora que esperamos o sol baixar nas redes que nos esperam num local bem fresco. Seguimos para as dunas e os mais corajosos fazem o SKIBUNDA. Fiz 2 vezes. Desisti. Descer é legal, mas subir para descer novamente é um castigo. 

Já no final do dia o guia nos leva para as margens da Lagoa Guaraíras para contemplação do pôr-do-sol. Muitos turistas e muita alegria. Cansaço ao extremo, hora de voltar. Os guias tem um carinho especial pelo trabalho. Todos se conhecem e rapidamente fazem amizades para nos deixar bem à vontade. Legal também é que são grupos pequenos e permite uma integração bem rápida. Utilizamos o Pau de Arara Tour que utiliza guia local.
Além das praias, as noites em Pipa são para quem tem fôlego!As opções gastronômicas são padrão internacional com preços nacionais (mas não vai durar muito tempo essa vantagem). Na Rua Baía dos Golfinhos, tem uma infinidade de opções. Conhecemos o Maloka Bar, que tem uma tapioca maravilhosa, todos os dias era ponto obrigatório o Sorvete Artesanal Real 14 , o Tapas com o melhor mojito que bebi e um jantar degustação. Na praia do centro, ficamos freguesas do Caxangá  no final do dia para um peixe assado e descobrimos no caminho de volta da Praia do Amor o Tal do Escondidinho ...seguramente...contemplar e comer é coisa certa a fazer em Pipa.

E sempre tem as pérolas né? Manchas em Movimento, o atelier do Jorge merece uma visita. E se ele estiver por lá, vixe...a conversa rende. Um pintor carioca que se encantou com Pipa e que agora é nativo!

E Pipa foi assim: sem muita história e com mais relaxamento. Sem compromisso de retratar e registrar, mas sim o de viver e sentir. Eu e Beth colocamos a conversa em dia de mais de 30 anos, idas, vindas, amores, desamores, filhos, trabalho, experiências de engrandecimento espiritual...saímos venerando e agradecendo a Oxóssi pela oportunidade de parar e contemplar!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradeço seu comentário. Andrea Pires

Visite Brasília

Andrea Pires

Blog Com Salto&Asas, um lugar onde compartilho memórias das viagens que mudaram minha vida, mas também inspiro mulheres que queiram experimentar a vida e sua própria companhia! Planejar, Sonhar e Realizar. Assim é que me sinto com o Mundo nas Mãos! Para contato direto comsaltoeasas@gmail.com

Cadastre seu e-mail

Tags

Adquira aqui seu e-book