domingo, 1 de julho de 2012

ANDALUZIA – A Granada que conheci....

(Agustin Lara)
Granada, tierra soñada por mi, mi cantar se vuelve gitano cuando es para ti...
mi cantar hecho de fantasia, mi cantar flor de melancolia, que you te vengo a dar... Granada, tierra ensangrentada
en tardes de toros, Mujer que conserva el embrujo de los ojos moros de sueño rebelde y gitana cubierta de flores y beso tu boca de grana jugosa manzana que  me habla de amores
Granada Manola cantada en coplas preciosas no tengo otra cosa que darte
que un ramo de rosas de rosas de suave fragancia que le dieran marco a la Virgen Morena...Granada, tu tierra está llena de lindas mujeres de sangre y de sol

Sim...Plácido Domingo embala essa viagem com muita certeza do que canta....com intensidade e fervor, porque Granada é assim...
Granada tem 02 coisas muito fortes na minha memória: as “figueiras” seculares que contornam Alhambra e as “romãzeiras”, que simbolizam a cidade (Granada traduzido para português é Romã). Tanto o “Figo” quanto a “Romã” são do oriente e, segundo lendas e histórias populares, a romã está associada à paixões e fecundidade, dedicada à deusa Afrodite. Os judeus a veem como símbolo religioso muito utilizado no ritual de passagem de ano e os árabes veneram seus poderes medicinais. O Figo, é sagrado para os judeus e para os budistas e muito consumido no mediterrâneo como fruto seco. Granada tem cheiro de romã e a cor de figo...vermelho e verde misturados à cor branca das casas que predomina nas paisagem. Granada é única aos olhos. Poética, romântica, jovem,  antiga, silenciosa e colorida. Como uma visão de um Oásis no meio do deserto...é assim que a chamo...meu Oásis de Andaluzia...
A cidade tem essa mescla viva de árabes, ciganos e judeus, encravada na sua geografia e história através das cuevas de Sacromonte, do mercado árabe, das teterias (casas de chás), da vida boêmia de seus bares, dos poemas de Lorca e da forma “Andaluza” de viver...a velocidade de Granada nos impõe seu freio...não tenha pressa! Suba cada ladeira bem devagar, descubra-a e se descubra, pois o silêncio de suas ladeiras nos proporciona uma intimidade individual preciosa.

A História nos diz que....
A cidade foi um reduto de árabes, judeus e ciganos que conviveram pacificamente até conquista dos reis católicos, 1492. (ultima cidade conquistada).  O ultimo rei muçulmano “Boadbil” ficou famoso pela forma que se rendeu, assegurando que seus súditos fossem tratados sem violência. Conta a lenda que em sua partida para o exílio, em prantos, sua mãe lhe disse “Llora como mujer lo que no supiste defender como hombre”. Triste e derrotado, seguiu para Fez (Marrocos) onde morreu em batalha contra os povos do deserto em 1528. 
Conta-se que durante a perseguição Católica, os ciganos queriam se converter porém, a Igreja os rejeitavam veementemente. Inclusive, a rejeição ao povo era tamanha que a Igreja/Estado buscou formas de inibir a sua reprodução e disseminação, separando homens, mulheres e crianças ciganas, encaminhando essas ultimas para famílias católicas europeias da região. O propósito era acabar com a “raça” cigana definitivamente. Por outro lado, os muçulmanos que não queriam se converter, eram expulsos ou mortos. Pela similaridade física, muitos se misturaram aos ciganos (rejeitados pela igreja e foragidos) e assim podiam viver excluídos e disfarçados nas regiões montanhosas. Já os muçulmanos convertidos (ou aqueles que se diziam convertidos), eram chamados de mouros, tendo que assimilar a religião Católica e seus costumes, abandonando sua cultura.
Granada sobreviveu assim : igrejas construídas nos bairros judeus e árabes se misturando a arquitetura moura, vários andaluzes, árabes e judeus convertidos e muitos excluídos na região montanhosa. Cenário mais que favorável para o aparecimento do flamenco na cidade. Por ter sido um reduto de ciganos e árabes, o flamenco aqui nasceu nas “fiestas das cuevas” quando se reuniam sorrateiramente à noite para lembrarem, cantarem, dançarem e lamentarem sua condição de foragidos e excluídos. 
Para sentir Granada, não deixe de ....
§ Subir a “calle” que cotorna Alhambra e o Rio Darro e descobrir o Bairro de Albaicín, até o mirante San Nicholas
§ Dedicar um dia inteiro para Alhambra e toda sua extensão.
§ Descobrir, sem pressa, Sacromonte, tanto de dia quanto à noite

Seguindo a “Carrera Del Darro”, contornando Alhambra e descobrindo o Bairro ALBAICÍN

Albaicín é a parte bem antiga de Granada, onde se vive em casas com pátios e jardins e de forte influencia árabe. Para conhecê-lo, sugiro caminhar a pé, apesar de ter que subir ladeiras...essa é a melhor forma de observar os costumes e a arquitetura. A pintura branca das casas com seus vasos de flores de gerânios que enfeitam as varandas e paredes externas, dão um tom visual bem típico de uma Espanha antiga. Suba ate o mirante de San Nicholas e a Igreja. Descanse. Sem pressa, fotografe tudo...ouça algum granadino tocar uma guitarra flamenca e admire a imponência de Alhambra.
Em Albaicin tem a escola Carmen Cuevas, onde pela 1ª. vez fiz aula de Flamenco e História. Uma comunidade de pessoas de várias nacionalidades e idades que compartilham dias intensos nas aulas de Espanhol, de Flamenco e História do Flamenco. Nesse caso, sugiro hospedagem no alojamento da escola (que oferece excelentes opções de apartamentos e casas) e assim poder desfrutar o bairro integralmente, pois, não há hotel e pousada por aqui.
Continuando a caminhada pelo bairro, no silêncio das ladeiras e ruelas, abrem-se praças rodeadas de cafés e restaurantes que no verão estão sempre lotados de turistas com aquele burburinho típico. E sempre aparece alguém com um violão flamenco para alegrar ainda mais...e antes de acabar o dia....ao anoitecer...volte ao Mirante San Nicholas...e descubra o céu de Granada.
À Noite, não deixe de conhecer, na Carrera Del Darro o “Le Chien Andalou, local típico de shows flamencos e reduto de artistas famosos da região de Andaluzia.

Viajando nas histórias de ALHAMBRA...
A melhor forma de conhecer Alhambra é passar o dia inteiro sem nenhum outro compromisso. Se possível, tenha em mãos “Cuentos de Alhambra” de Washington Irving e entre uma caminhada e uma descansada, leia e viaje nas suas histórias e lendas que ele escreveu quando morou no Palácio.
 Granada foi governada por muito tempo pela Dinastia Nasrida que fez de Alhambra sua fortaleza/cidade (Medina) com suas muralhas únicas e imponentes que a separavam da cidade. Ali vivia sua população dedicada à Medina e todos tinham acesso ao palácio real, mesquitas, escolas, etc...Já no Império Romano, foi a corte do reino de Granada, e que também servia de refugio para artistas e intelectuais na época. A arquitetura é a expressão da arte islâmica com inscrições árabes e arabescos.
Programe essa visita com antecedência e recomendo comprar os ingressos com antecedência para não enfrentar fila no dia da visita. Geralmente o passeio dura uma média de 4 horas. Sapatos e roupas muito confortáveis são essenciais. Aproveite muito os jardins de Alhambra para um picnic, um descanso e para admirar com a calma necessária toda a extensão da Medina.
Ao sair de Alhambra, contorne a Carrera Del Darro sentido Bairro de Albaicín e presentei-se com um Hammam, banho árabe típico e renovador. Uma experiência inesquecível.
À noite, descubra a praça de restaurantes e bares que tem a vista para encosta de “Alhambra” sua muralha iluminada e se permita esquecer a hora..deixe a madrugada chegar....

SACROMONTE e suas Cuevas…um museu a céu aberto....
Sacromonte está de frente com Alhambra....e suas “cuevas” são típicas moradias de ciganos que viveram por muito tempo com seus costumes preservados. Também foi aqui que os muçulmanos e judeus se refugiaram e receberam abrigo pelo povo cigano e se falava o dialeto “El Calé”, típico da Índia (de onde vieram ciganos). Um lugar preservado que retrata o modelo de vida dos ciganos e povos que viveram ali.
Subir Sacromonte requer muita paciência. O caminho é íngreme e cansativo, mas de uma beleza única. Observe a quantidade de alecrim que cresce aleatoriamente. O alecrim (chamado de Romero em Espanhol) é conhecido desde a antiguidade como uma planta para banho, unção e defumação. Para os ciganos, uma planta de limpeza e proteção. Todo o caminho para Sacromonte é contornado por Alecrim e seu cheiro  exala um perfume restaurador.
Logo no início da subida, tem muitas “cuevas” que são restaurantes e oferecem  shows de flamenco à noite. Vale uma parada para buscar informações de horários e o telefone para reserva.  Experiência única é ver um show de flamenco, estilo “Zambra” festa de origem moura e muito comum entre os ciganos. Recomendo “Venta el Gallo”,  que apresenta  um  show com artistas locais e tipicamente granadinos, um flamenco mais forte, mais rústico, mais doloroso e mais “cigano”.
Seguindo e subindo de dia, passando pelas cuevas, a paisagem começa a se distanciar e quase que se transforma numa pintura. Aos poucos o museu começa a aparecer. Tudo muito preservado. Logo na entrada, você recebe uma orientação sobre a organização do local. Desfrute cada cueva e suas histórias.
Depois de conhecer Sacromonte, certamente, você entenderá porque Granada é um Oásis, uma visão para puro deleite e prazer e porque foi cantada com tanto fervor.

2 comentários:

  1. Andrea, uma verdadeira aula. Muito bom. Parabéns. Fui a um show de flamenco numa cueva, caminhei ao longo do rio Darro, enfim, vivi momentos inesquecíveis em Granada. Espero voltar um dia, porque adorei a cidade e as pessoas. Abraços.

    Helmut

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  2. Helmut, que delicadeza sua resposta. Muito obrigado. Que bom que você vivenciou muito mais que um passeio turístico,mas um retorno à história...e quiçá...nossas raízes....este ano pretendo voltar à Granada. Não tem um dia que não penso nesta cidade. Abraços!

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Agradeço seu comentário. Andrea Pires

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Andrea Pires

Blog Com Salto&Asas, um lugar onde compartilho memórias das viagens que mudaram minha vida, mas também inspiro mulheres que queiram experimentar a vida e sua própria companhia! Planejar, Sonhar e Realizar. Assim é que me sinto com o Mundo nas Mãos! Para contato direto comsaltoeasas@gmail.com

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